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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pequeno Bob na Europa

Aventuras com um "pirata" na Torre de Belém!
Adoro essa foto. Torre de Belém. O moleque brincando amarradão com esse cartão postal ao fundo...

Essa foto é tudo de bom. O Beijo Molhado do Leão Marinho em Lisboa!

Show de golfinhos em Lisboa

Parque Isla Mágica em Sevilha

Parque Isla Mágica em Sevilha

Jardins de Murillo em Sevilha, unem o local histórico (é o jardim do Palácio Real) com a diversão da criançada.

Museu do Brinquedo, Sintra

Museu do Brinquedo, Sintra

Barcelona é uma cidade com uma arquitetura diferente, onde tudo chama a atenção das crianças.

Mais dicas da Germana em Lisboa, Sevilha e Barcelona

Os passeios mais legais com crianças

BARCELONA

1) Parque de La Ciudadela - Perfeito, cheio de brinquedos em todos os cantinhos.
2) Zoológico - o Show de golfinhos é uma atração à parte, que não dá para perder
3) Aquário - Nosso pequeno achou muito escuro, mas é um programa imperdível. No final, há uma série de brinquedos, como um submarino, que eles adoram.
4) Andar pelas Ramblas - é um programa tipo Turistão, que muitos nem me aconselharam a fazer por ser meio brega. Mas, quer saber? Nós adoramos! A cada metro percorrido, encontrávamos artistas de rua, com mil performances curiosas e engraçadas. Essa mistura de gente e um clima animado foi ótima para nós e nosso filho. Tudo era novo para ele, que ficou fascinado.
5) Parque Guell - obrigatório para adultos e crianças, mas não tem brinquedos. É um espaço lindo e ao ar livre, onde se pode correr à vontade e curtir a vista da cidade.
6) Fundação Miró - Miró é perfeito para crianças e uma ótima introdução no mundo das artes, com suas telas imensas e muito coloridas. Roberto adorou. Tentava me explicar o que era cada um daqueles desenhos, ficou todo feliz. Uma graça.

Onde não ir - Pueblo Espanhol
É uma vila, com entrada paga, que tenta imitar os inúmeros estilos arquitetônicos da Espanha, como uma (ou várias) cidade (s) em miniatura. Eu achei horrível e desnecessário. Barcelona é linda, com uma arquitetura fantástica e muito viva. O que eu estava fazendo ali naquele espaço fake que parecia um shopping???

SEVILHA
Parque Isla MAgia - Incrível, rende muito para crianças, com brinquedos e shows ao ar livre. Destaque para a apresentação de pássaros, que nunca vi antes em lugar algum.

Parque Maria Luisa - Além de ser lindo e ter uma das praças mais lindas da Europa (a Praça de Espanha), é um espaço verde incrível, com muitos brinquedos e passeio de charrete. Ponto alto da cidade!

Jardins de Murillo - são os jardins do Palácio Real (Real Alcazar) - também lindos, com brinquedos e as laranjeiras típicas da Espanha. Delícia.

Casa de Pilatos - nós fomos, é uma construção muito linda em estilo árabe, mas Roberto estava no auge do seu cansaço e impaciência. Não rendeu para ele...

LISBOA E ARREDORES
A cidade é muito amigável para os pequenos.
1) Andar de Elétrico (Bonde) é um programa legal, bem como ir ao Castelo de São Jorge bem no Centro da Cidade.

2) Conhecemos o Parque Monsanto que é muito completo, uma área verde lindíssima e muito bem estruturada para crianças, com inúmeros brinquedos, cabanas de índios, lago, restaurante e tudo que você possa imaginar. Adoramos.

3) Passear por Belém, conhecer a Torre de Belém, de onde saiam os navegadores rumo ao Novo Mundo. Meu filho se sentiu o próprio pirata, brincando naquela espécie de castelo (é uma fortaleza na verdade), cheio de canhões. Provar o incrível pastel de Belém e brincar com os mapas no chão, desenhados com pedras portuguesas, que mostram as conquistas de Portugal nos tempos de Cabral. Emocionante.

4) Zoológico - eu achei o Zôo de Lisboa ainda melhor que o de Barcelona, que já era nota 10. Há uma programação enorme, com diversos horários para as crianças acompanharem a alimentação de flamingos, focas etc. As 15h, há o grande show de golfinhos e leão marinho! Imperdível! Recebemos o famoso "Beijo molhado" e jamais esqueceremos.

5) Sintra - Cidade histórica ao ladinho de Lisboa, com o Castelo da Pena (é impossível não se sentir num conto de fadas!) e o Museu do Brinquedo. Programa delicioso!

6) Oceanário de Lisboa - Simplesmente o melhor aquário da Europa, de deixar qualquer um com o queixo caído. Dá para ficar horas e horas observando as espécies, os tubarões, as arraias, peixes imensos e os minúsculos... um programa obrigatório!

Para os mais velhos existem ainda outras opções como Museu das Ciências, ao lado do Oceanário, e um parque chamado Kidzânia, que não chegamos a conhecer. Lisboa merece muitas e muitas viagens.

Pequeno Bob em Barcelona, Sevilha e Lisboa, por Germana Costa Moura

Germana é jornalista e corajosa. Mãe de Roberto, o "Pequeno Bob", que nas últimas férias fez roteiro de gente grande. O menino cruzou o oceano. E adorou! A seguir, a primeira de uma série de aventuras da família(a gente torce por isso)... 


 
Estava louca para contar para vocês a experiência de levar um moleque de menos de 3 anos para passear com seus pais pela Europa. Foi demais. No roteiro teve de tudo um pouco: de parque de diversão a monumentos históricos, de zoológico com show de golfinhos a jogo do Barcelona, de passeios por avenidas lindas até a pausa para um descanso naqueles cafés cheios de charme. Só que em vez do cafezinho e da água mineral, típico hábito deles, a mesa estava lotada de bonequinhos e um tiquinho a mais de barulho do que eles estão acostumados..

Como fomos atravessar o Atlântico com uma criança tão pequena?

Com a proximidade das férias, ainda no ano passado, começaram as dúvidas sobre que viagem nós faríamos. As primeiras opções incluíam Hotel Fazenda, Praia, Parques de Diversão (Beto Carrero porque a Disney, eu só cogito um pouco mais para a frente) etc. Fiz uma sondagem com amigas, todas com filhos já bem maiores do que eu, e ninguém jamais levou filho pequeno para uma viagem a Europa, mesmo aquelas que viajam com frequência. Nada contra praia ou parques! Quem não gosta de ficar curtindo um relax com todo o conforto? E os parques? Tenho certeza que vou curtir mais do que o Roberto e me acabar em todos aqueles brinquedos. Mas depois de 3 anos curtindo intensamente a vida de mãe e o mundo infantil, queria muito que as férias fossem familiares e não apenas 100% voltadas para ele. Além disso, meu marido branquíssimo não gosta de praia e já me deu de presente férias no Nordeste uns dez anos seguidos. Estava na hora de variar o cenário. E, finalizando, nós dois quase não nos vemos o ano inteiro. Temos horários completamente diferentes. A última coisa que eu queria era entrar em parques cheios, lotados, um barulhão etc etc. Queria ter a oportunidade de passear, conhecer coisas novas, sentar num café e papear. E sentir um friozinho para fugir desse calorão.

Como temos milhas sobrando (eu não falei que a gente quase não se vê? São inúmeras viagens a trabalho!) e amigos queridos em Portugal - amigos esses que ainda por cima têm filhos com idades bem próximas a do nossos filho - bastou meio convite da Joana para eu ja ir aceitando e topando a ideia de revê-la e passar uns dias com ela. Mas a questão central permanecia: o Roberto seria muito novo para fazer uma viagem, digamos, de adulto? Dá certo levar um moleque para Europa? E o custo?

A minha avaliação é que dá, sim, e muito. Adorei a experiência. Com um filho só é quase o mesmo custo de uma viagem a dois (a parte terrestre). Onde dormem dois, dormem três. E nós dois rachávamos todas as refeições! Fui com baixa expectativa. Daqui do Rio ia me convencendo que algumas coisas não iam dar certo e que não daria para fazer todos os programas. Por exemplo, eu achava quase impossível sair à noite e, na realidade, saímos algumas noites tranquilamente com ele no carrinho. Por outro lado, tinha certeza que ele ia amar o aquário de Barcelona e ele nem ligou. Acho que achou muito escuro, porque ficava procurando o lugar do cinema! Curtiu muito mais o carrossel bem bobinho que havia do lado de fora.

Nas cidades grandes, há inúmeras opções de lazer. Um parque urbano ou pracinha já é um programão para um menino de apenas 3 anos. É tudo lindo, charmoso, bem cuidado, cercado de flores. Em Barcelona, o Parque de la Ciudadela tem lago, barco para alugar, inúmeros brinquedos (em diversas áreas), gente patinando, labirinto de arbustos, cafés. Um sonho. E ali ainda tem o Zôo, com seu show de golfinhos de deixar qualquer um babando.







Em Lisboa, a Torre de Belem foi recriada por mim como um lugar de onde os grandes piratas (e não os navegadores) saiam para fazer suas descobertas. Não tem preço ver seu filho explorando cada cantinho da Torre - um dos patrimônios da humanidade - viajando como se estivesse num cenário de piratas. O mais engraçado é que quando chegamos lá havia um artista de rua, todo fantasiado de pirata, fazendo pequenas esquetes e tirando fotos junto aos visitantes. Uma moedinha de um euro e estava garantido o espetáculo. Roberto enloqueceu. "Eu não te disse, filho, que aqui havia um pirata?". Adorou! E pensar que ali pertinho está à venda o famoso Pastel de Belém. Dá mais saudade ainda.

Super curioso, prestava atenção em tudo! Fomos ao Castelo da Pena, em Sintra, onde ele procurou muito pela Rainha! Mas, que pena, ela não estava lá! Em Sevilha, na Casa de Pìlatos, com influência Árabe. ele andou procurando Aladim e Jasmim. De lá seguiu para um parque de diversões incrível com brinquedos e esquetes teatrais. E assim íamos mesclando programas para todas as idades.

Foram 17 dias em 3 cidades. Hoje, mais experiente, eu teria feito 12 dias em apenas 2 cidades.

A seguir um resuminho do que acho que dá certo ou não em viagens desse tipo. E você? Tem dicas para passar?

Deu certo



Clima - ele nem ligou para o frio, se adaptou super bem
Avião - nem sentiu a viagem noturna tanto na ida quanto na volta
Dormir em apartamentos alugados - além de mais baratos que os hoteis, os apartamentos são muito mais confortáveis e dão à criança a sensação de que está em casa. Até hoje ele fala "a nossa casa de Barcelona" (quem me dera!)
Ter um monte de DVDs em português e brinquedinhos sempre à mão.
É um alívio encontrar o Danoninho idêntico ao nosso e qualquer DanUp em qualquer mercadinho.
Museu - parece incrível, mas ele adorou o Museu Miró. Sua reação foi dizer todo empolgado "que legal!" e em seguida me explicar que se tratava de uma "pintagem com textura", como se fosse um trabalhinho da escola.
Parques e pracinhas em geral. A dica é ir de manhã, gastar bastante energia. Depois, colocá-lo num carrinho descansando enquanto os adultos aproveitam para fazer outros programas com mais calma (muitas vezes ele dormia).


Não deu tão certo



Não recomendo mais que 12 a 15 dias viajando. A gente abusou com 17 dias de viagem. Ele sentiu saudade de casa e nós estávamos cansados, loucos para revezar um pouco com a babá...

O fuso horário com 3 horas a mais foi bem cansativo para os pais. Antes de 1 da manhã, nada do Roberto dormir. Abrimos o sofá-cama na sala, espalhamos os brinquedos, para ver se ele ia se deixando levar pelo sono.... a casa era dominada por dezenas de bonecos. Na foto, Roberto completamente com sono cercado de sua coleção.




TV em espanhol. É muita informação para a cabeça dele processar. Eu senti que ele ficava muito ligado tentando entender tudo. Quando desliguei a TV, ele relaxou mais e conseguiu desacelerar.

Comida - que saudade do prato infantil no Brasil e de pedidos como "dá para ver mais uma porção de arroz?". Isso não existe lá fora. Ele estava com tanta saudade do arroz, que cozinhamos em casa! No quesito gastronomia, não consegui variar quase nada o cardápio. Qualquer iogurte ou suco novo era rejeitado, então parei de arriscar e saí comprando só o que era bem parecido com o que ele estava acostumado (uma pena!)

Cidade pequena, como Sevilha. Lá é interessante e tem um Parque de Diversões ótimo. Mas as cidades maiores são realmente mais indicadas!

Adorei a experiência e acho que, só de termos ficado 17 dias nós 3 juntos, já valeu a pena. Foi ótimo ver que não existe bicho de 7 cabeças e eles se adaptam facilmente e dá para fazer diversos programas com eles.

Que venham as próximas férias!!! 

 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Turquia, das mesquitas, das ruelas e da simpatia, por Joana Thimóteo

Passamos o ultimo verão europeu na Turquia (agosto de 2010). Eu já tinha ido e Pedro também. Mas queríamos voltar para mostrar aos nossos pequenos, Antonio (3 anos) e Matias (1 ano), a magia de Istambul. Cidade única.

Combinamos que passaríamos 5 dias em Istambul e depois 7 dias na Turquia mediterrânea num desses resorts com as pernas pro ar e com as crianças soltas.

Em Istambul resolvemos não ficar no centro antigo. Seria delicioso termos ficado lá, o lugar é um charme, mas como não passam táxis em todas as ruelas do bairro, achamos que o acesso seria difícil com duas crianças e seus carrinhos. Optamos pela área de Nisantasi (o bairro bacanudo de Istambul). 

Um hotel ótimo, de frente para o Bosphorus, com uma vista deslumbrante e com piscina para as crianças e nós brincarmos no fim do dia (Swiss Hotel). Isso foi uma ótima escolha.

Era agosto e o verão escaldante fazia os termômetros baterem os 45 graus. A cada esquina que passávamos comprávamos garrafas de água para jogar na cabeça dos meninos. O calor estava insuportável. Por causa da temperatura resolvemos perguntar a um simpático taxi que nos levava para o Hagia Sophia, principal mesquita de Istambul (que já foi catedral crista e depois virou mesquita), quanto ele nos cobraria para ficar com a gente o tempo todo. O preço era justo e fechamos negocio. Outra ótima decisão.

Os turcos de uma maneira geral são muito gentis e adoram as crianças. São simpáticos na rua e sempre tentam ajudar. Então tínhamos um motorista simpático e um carro com ar condicionado. Alem disso, podíamos deixar compras e carrinhos no taxi. Valeu cada tostão a mais que pagamos.

Escolhemos as principais mesquitas e palácios e fomos conhecê-las. As crianças adoraram. Junto com a gente embarcaram no mundo da fantasia. Antonio contava quantos “castelos” estava conhecendo, mas sempre contabilizando os que já conhecia, como  da Cinderela (da Disney), como o do Corcunda (da Notre Dame de Paris). Enfim, apresentamos novos “castelos”, novos sonhos e novas fantasias.

Aqui fiz uma listinha com algumas mesquitas, palácios e monumentos que os meus meninos curtiram:* Dolmabahçe Palace
* Hagia Sophia = Santa Sophia
* Blue Mosque (na frente da Santa Sophia, em Sultanahmet)
* Topkapi Palace
* As Cisternas
* Spicy Market - os melhores e mais baratos caviar para consumo. Tem pimentas do mundo todo. Lugar bem tipico onde os turcos compram temperos.
* Museu de Arqueologia
* Chora Museum
* Beylerbeyi Palace
* Suleyman Mosque
* Grand Bazar – ou vá com alguém que fale turco e pechinche bastante o preço ou dê apenas uma passada. Os preços são caros e a negociação muito cansativa (e olha que eu morei na China e sou mestre em pechinchar). Como é sempre muito cheio, não dedique muito tempo, pois a chance do seu filho ficar altamente irritado é grandes!* Bosphorus Tour – passeio de barco pelo Bosphorus. Lindo principalmente no por do sol. As crianças adoraram.

Esses são passeios ou caminhadas por bairros agradáveis, legais para passear com nossos pequenos:
Nisantasi – bairro das compras, melhores lojas.Bebek - bairro a beira do Bosphorus com muitos cafés e restaurantes.
Ortakoy - bairro com mesquita também na beira no Bosphorus, bem simpático
Beyoglu - bairro antigo com uma avenida sem acesso p/ carros. Vale a pena (visitar a Çiçek Pasaji e Passage Markiz)

De Istambul partimos para Antalya. Um lugar nada bonito, mas com hoteis incriveis. Conhecido como a “Riviera Turca”, nao concordo, mas...o hotel que ficamos era otimo (Gloria Golf Resort). Com uma infraestrutura que eu nunca tinha visto para criança. Tinha tudo infantil: 9 tobogas de agua (de todos os tamanhos), 6 piscinas, clube infantil, cinema infantil, teatro diário para crianças, uma praia calma e gostosa, esportes aquáticos, tudo o que meus filhos pudessem querer tinha neste hotel.

E nada lotado, com muito verde e espaço para eles correrem.. Fora o atendimentos exemplar, a cozinha infantil para darmos almoço e jantar aos pequenos e os banheiros infantis espalhados pelo hotel. Uma maravilha para eles. 

Ja para nós...eu achei pouco infantil demais. Como diria um amigo: cansativo. Me sentia na Disney, o que não era bem a minha intenção.  Mas como tínhamos conciliado nosso interesse (Istambul) com o interesse dos meninos (Antalya), chegamos a conclusão que as férias foram incriveis! Esse equilíbrio de interesses é o que estamos sempre em busca.  Afinal são as férias deles, mas as nossas tambem! Grandes férias a Turquia nos proporcionou!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Luca em Paris: novembro de 2008

Paris avec les enfants

Em novembro de 2008, nossa família tomou uma decisão muito difícil, da qual ninguém se arrependeu ainda: levar o Luca - então com seis anos - para Paris, deixando para trás a pequena Diana, de dois aninhos. Eu sei que um dia ela vai me torturar com essa informação, mas a verdade é que tínhamos uma chance única nas mãos: passar uma semana no apartamento de um casal amigo que tem um filho maravilhoso, na época com sete anos. Chegar com dois filhos e um carrinho de bebê nos parecia abuso demais e queríamos aproveitar cada segundo. Foi o que aconteceu.

(Ficar ou não ficar hospedado na casa de amigos é uma discussão que merece um capítulo à parte, mas, adianto que até hoje eu nunca me arrependi de hospedar ou de ser hóspede.)

Para conquistar os meninos logo de cara, no primeiro dia em Paris, levamos Luca e Pedro de RER para a Disney. O trajeto não leva nem uma hora, o trem é seguro e confortável. Nosso grupo só não teve sorte com a data. Seria feriado na terça-feira, ou seja, o parque naquele sábado estava lotado de franceses. O que não tirou o brilho de nossas atrações preferidas de Orlando com sotaque local: montanha-russa do Nemo, do Aerosmith, Space Mountain, o doce passeio do Peter Pan, Piratas do Caribe, Buzz Light Year, a Casa Mal Assombrada e assim por diante. Bateu culpa por Diana não estar junto, então, compramos roupinha da Minnie e um monte de brinquedinhos para ir entregando aos poucos para a Diana.

- Mamãe meu - ela repetia ao telefone - te amo, papai.

(Culpa, muita culpa.)

O domingo me lembrou os tempos de Nova York (onde moramos de 2004 a 2006). Depois da canseira da Disney e por causa do fuso horário, acordamos tarde para um longo brunch em casa. Os melhores queijos, as baquetes mais deliciosas, o papo ótimo de sempre. Mas Pedrinho estava ansioso para mostrar o Museu de História Natural para o Luca, com destaque para a Grande Galeria da Evolução. Os bichos empalhados revelam um cuidado imenso, a forma respeitosa com a qual o conhecimento é dividido com as crianças. Uma reprodução de Lucy, fóssil de três milhões de anos encontrado na Etiópia em 1974 - "a mãe de todos nós", dizia o Pedro - e o elefante que trabalhou em circo quando vivo foram palcos de verdadeiras aulas do nosso anfitrião.

- Eu sei, dizia o Luca, para tudo.
- Mas, Luca, por que voce diz que sabe tudo? Não sabe que aprender é tão bom quanto saber? - questionava Pedro, sabido demais para seus 7 anos.

O Museu, que também tem uma galeria enorme de esqueletos e fósseis de dinossauros e animais mais jovens (!), fica no Jardin des Plantes, ao lado da Mesquita de Paris. Em uma enorme alameda de folhas amareladas pelo outono, nossas crianças brasileirinhas aproveitaram um carrossel de bichos, que parecia de cinema.

No almocinho na Brasserie Les Ondes, perto de casa, o Luca provou os escargots pelos quais o Pedro era apaixonado. "Não gostei do alho, mamãe, é forte!" (Um ano mais tarde, em Nova York, numa segunda tentativa, Luca raspou o prato!)

Depois de um almoço gostoso, o Lúcio provou mais uma vez ser um bom pai e um bom marido. Levou as crianças para casa enquanto minha amiga e eu vimos duas belas exposições no Grand Palais: "Emile Nolde" e "Picasso et les maïtres". Viajar em família é exercer a generosidade, sabiam?!

É também traçar metas, diariamente. Numa segunda-feira fria, Lúcio, Luca e eu abrimos os trabalhos na Notre-Dame. Como já tínhamos lido o "Corcunda de Notre Dame", gastamos uns bons minutos imaginando se Quasimodo estaria lá, com os sinos que badalaram no momento em que chegamos ao lugar. (Pausa: Luisa e eu acreditamos sinceramente que é preciso envolver a criança desde muito antes da viagem, mostrar livros, guias na internet, atiçar a curiosidade de nossos pequenos.)

Voltando ao roteiro, tomamos café e sorvete Berthillon na apaixonante Ïle Saint Louis e gastamos alguns minutinhos namorando a Pylones (que existe em diversos outros lugares de Paris e NY) e a Arche de Noë - de brinquedos educativos e irresistiveis na rua principal. Passeamos pela Place Dauphine, na Ïle de la Cite, dica da carioca mais francesa do mundo, Isabela Caban. Andamos mais, andamos muito, deveríamos ter alugado as bicicletas disponíveis em todo canto de Paris.

Na Rue du Bac, depois de olhar de loooonge o d'Orsay e o Louvre (confesso que não quis encarar filas com o Luca), garanti medalhinhas da Nossa Senhora da Medalha Milagrosa para amigos e família e entrei em transe com o bom gosto do Bon Marché - a loja de departamentos - e da Grande Epicerie, no térreo - um mundo de temperos e coisinhas geniais para a cozinha. A gente gastou um bom tempo para escolher a nossa nova mania: a flor de sal de Guerande.

"A melhor e a mais rara forma de Sal, a Flor de Sal é a fina camada cristalizada na superfície das salinas em dias de vento, quentes e secos. Coletada a mão, seca ao sol e ao vento, a Flor tem um sabor incomparável. Guérande, na província francesa da Bretagne, é sua melhor origem."

Voilá! O Luca não entendeu tanta euforia, mas percebeu que o azeite nunca mais seria servido da mesma forma...! Ah, esses adultos, se empolgam com cada coisa!

A última parada do dia foi na Du Pareil au Meme (a Baby Gap francesa que vestiu o Luca depois de uma temporada de liqüidação em que ele ainda estava na barriga!). Ah, o Euro...

Depois de dias nublados, o sol de terça-feira combinava com a programação da hora. No Bois de Bologne (que, no feriado por causa dos 90 anos da I Guerra Mundial, parecia Central Park aos domingos), entramos no Jardin d'Acclimatation. Quem quer que viaje com crianças para Paris TEM de conhecer. Tem fazendinha, pracinhas de areia, pais com seus filhos de todas as idades, brinquedos da nossa infância, bate-bate, montanhas-russas, chapéu mexicano, muito espaço, muita beleza. O Luca amou. Disse que tanto quanto a Disney. Surtou ao escalar essa enorme "pirâmide de cordas".

Chegou exausto à brasserie da Printemps, a famosa loja de departamentos. O Phillipe Starck realçou a linda cúpula de vitrais no teto ao posicionar mesas espelhadas para os clientes. Luca conseguiu derrubar uma cadeira, o que nos matou de vergonha. Risos. Mas a comidinha estava ótima. E eu nunca vou me esquecer de que foi lá que provamos de sobremesa o famoso Mont Blanc da Angelina.

Estava na hora de bater perna na Champs Elysees. Luca e Pedro se encantaram com a La Grande Recree, uma lojona de brinquedos, com todas as marcas americanas e francesas: bolinhas de gude e material para maquetes são a nova mania da dupla.

No dia seguinte, depois de almoçar em casa um delicioso cassoulet da lata (uma espécie de feijoada de feijão branco, lingüiça e carne de pato, comprada em supermercado, semi-pronta), Lúcio, Luca, eu, Pedrinho e Graziela (prima do Pedro) seguimos na linha 7 do metrô do Palais Royal/Louvre até La Villette, um mundo de ciência na ponta de Paris.

Houve um contratempo aí. Eu não conferi direitinho os horários. Optei por assistirmos primeiro um filme em 3D (uma versão reduzida de "Mosconautas") e andar de simulador Cinaxe (sobre os mesmos "Mosconautas"). As crianças adoraram, nós adultos também - mas fiquei com pena de não conhecer as outras exposições, onde não dava pra entrar depois das 16h. Queria muito ver nossos visitantes-mirins com a mão na massa, nas experiências.

- Ah, Cris, o museu é público, os funcionários vão embora cedo - me explicou minha amiga, já acostumada ao ritmo francês de 35 horas de trabalho por semana.

Turista tem de ser esperta. Tem de olhar, anotar, pesquisar antes de viajar. Quem mandou não conferir?!

No dia seguinte, enquanto o Luca e o Lúcio decidiram subir a Torre Eiffel (no momento em que agricultores franceses faziam seu protesto com ovelhas no Campo de Marte), Sônia e eu batíamos perna no Marais. Ah, o Marais!

Ok, essa não é uma programação para filhos. Mas, se a mãe em questão conseguir uma tarde livre, segue um roteirinho delicioso que fiz com minha amiga.

Nosso ponto de partida foi o Hotel de Ville, seguindo pela calmíssima Place Sainte Gervais, pela Rue Pont Louis Philippe (papelarias chiques, galerias), pela Rue François Miron (o número 13 sustenta as paredes tortas de uma casa do século XV e a Sentou, loja de decoração com peças do Noguchi), continuando pelo imperdível Hotel des Sens (que já serviu de cenário para as excentricidades da Rainha Margot, que tem uma bola de canhão cravada no muro e hoje é uma biblioteca pública), a Village Saint Paul (um conjunto de prediozinhos com antiquários) e um café para descansar no solzinho de 12oC na Place des Vosges. O que mais poderíamos querer? Rue Franc des Bourgeois! Uma ao lado da outra, MAC, Khiels, Camper, Chaise Longue, Estephan - eu poderia passar o dia por lá. Mas precisávamos (!) almoçar no KONG! No topo da loja do Kenzo, a linda vista que a Rue Pont Neuf pode oferecer, uma comida razoável e a decoração fresca de Philippe Starck. De volta ao Marais, caminhei mais um pouco pela Rue des Rosiers (comprei chá verde com flores da Provence na Marriage Freres), pela Blanc Manteaux (valeu, Bela, pela dica da Les Touristes, com suas batas indianas, seus cheirinhos e paninhos parisienses) e retornei para o Hotel de Ville.

Era hora de pegar o ônibus, voltar pra casa, trocar de roupa e jantar com os amigos na tradicional Veaudeville, brasserie freqüentada por parisienses, em frente à antiga Bolsa. Porções pequenas e deliciosas. Sopinha de cebola, rodelinhas de cordeiro, hum...!

O despedida em Paris foi longa, com uma caminhada pela manhã no Quartier Latin, com destaque para a Rue Saint Andre des Arts. Visitamos lojinhas, saboreamos crepes de Nutella, passamos por barracas de frutas, verduras, crustáceos - e entramos na Eva Baz'Art (uma espécie de Pylones, mais voltada para a cozinha). O Luca acompanhou bem o passeio pela Rue de Buci, pela Rue Bonaparte (onde suspiramos pelos macaroons coloridos da Pierre Hermés, pela doçura da marca Berenice e pela chiquérrima Max Mara), pela Rue de Four (onde comprei uma sapatilha Repetto para a Diana, reparem na culpa novamente) e seguiu firme até o Le Procope, restaurante de 1686, conhecido pelo Coc Au Vin. "Parece um museu", reparou o Baby depois de conhecer o segundo andar, lindíssimo.

A gente pensou muito se deveria levar a Diana para Paris. O objetivo era visitar nosso casal de amigos e o filho, Pedro. Lúcio e eu decidimos, desta vez, privilegiar o Luca. Ele certamente curtiria mais a viagem, teria mais pique, entenderia a questão da distância e aproveitaria a rotina ao lado do Pedrinho.

Por isso, Diana e babá seguiram para o Rio Grande do Sul, onde nossa pequena foi mimada até onde pôde pela madrinha, ganhou beijos, aproveitou colos de avós, aprendeu todos os nomes da enorme família do Lúcio, correu, brincou, visitou a prima Manu (parceira da aventura em Fernando de Noronha), comeu pão preto com geléia de manhã... Uma infância assim, a gente não esquece. Nada substitui tanto amor. Nem mesmo uma volta pelo rio Sena.

Vive la France com João e Vitória

Moramos em Paris um ano antes do João nascer. Por isso, quando estivemos com ele pela primeira vez na cidade, em janeiro de 2008, nossa idéia era, antes de mais nada, fazer uma viagem afetiva por lugares cheios de significados para nós (por isso, a foto abaixo, em frente ao edifício da Rue des Ecoles, nossa casa em Paris).

No entanto, a programação infantil de Paris já era uma velha conhecida nossa, graças a Vitória, minha enteada, que tinha sete anos na época da nossa temporada na França.

Com ela, costumávamos frequentar muitos parques dentro e fora da cidade. O Jardin du Luxembourg, por exemplo, o maior parque público da cidade, com seus lagos e estátuas exuberantes era tiro certo para a garotinha extravassar as energias, principalmente no inverno, vivendo em um apartamento de pouco mais de 30 metros quadrados. O lugar, que tem entrada gratuita, abriga a sede do Senado da França, um pavilhão de exposições e um parquinho aprovadíssimo pela Vitória e, anos mais tarde, pelo João. Este sim, é pago, mas tem excelente custo benefício.

Versalhes com seus jardins geométricos e salões suntuosos é uma ótima pedida, especialmente com as meninas, para brincar de princesas. Perto de Paris de carro ou trem, o palácio transformado por Luís XIV no centro de poder político da França tem mil e uma atrações encantadoras. O quarto em que as rainhas davam à luz seus filhos em frente de toda a corte e o inesquecível Salão dos Espelhos, palco das cerimônias importantes onde o Tratado de Versalhes foi ratificado são os destaques da área interna. Na parte de fora, uma delícia perambular a pé ou de charrete pelos jardins e ver de perto o Petit Trianon, o castelo preferido de Maria Antonieta.

Nos finais de semana, pé na estrada. Com carro alugado, Euro Disney, claro, sucesso total de crítica. Décio, "paidecendo", deve ter ido umas dezessete vezes. Mas quando outros cenários entraram no roteiro, aí sim, o paraíso.

Fomos especialmente felizes em duas oportunidades: na primeira, uma visita a Giverny, vila de quinhentos habitantes, a pouco menos de noventa quilômetros de Paris. A casa onde Claude Monet trabalhou até o fim da vida continua ali, decorada com as cores originais, aberta ao público. E mais: os jardins que serviram de tema para alguns dos mais famosos estudos do pintor, com suas pontes de madeira sobre o lago e sobretudo as ninféias são um quadro vivo, diante dos nossos olhos. Beleza para todas as idades.

A segunda viagem é mais distante, requer planejamento e talvez pernoites pelo caminho. Mas como vale. A silhueta do Mont Saint Michel é uma das visões mais encantadoras de toda a Europa. O lugar já foi oratório, mosteiro beneditino durante a Idade Média e prisão após a Revolução. As marés na baía que cerca o Mont Saint Michel são muito fortes e a ilha é unida ao continente por uma passarela. As ovelhinhas em volta ainda ajudam a compor o cenário de filme. Mergulhe nas muitas histórias deste cartão postal cheio de mistérios, meio mágico mesmo. Viaje no tempo com o seu filho, ele vai gostar.

Com o João, investimos mesmo em Paris, o que definitivamente não é pouco. Estes passeios ficaram para uma próxima. Afinal, a capital francesa tem muito a oferecer, para qualquer idade.

Um programa bem turístico que recomendamos com crianças é o passeio pelo rio Sena naqueles barcos estilo Bateau Mouche. Ótimo para mostrar a cidade sob outro angulo a qualquer hora do dia ou da noite. Fizemos com o Joca no por do sol e a visão é espetacular.

Lembro também que chegamos a cidade em um 6 de janeiro, Dia de Reis. Por sorte, pegamos o horário da missa em Notre Dame. Mais um daqueles momentos inesquecíveis. Se a agenda coincidir, com esta ou outra data importante, não deixe de entrar um pouquinho na catedral. Faz qualquer pestinha paralizar, meio estarrecida.

Ao contrário da Cris, visitamos Paris no inverno gelado. Então os programas indoor eram sempre muito bem-vindos.

Surpreendentemente não encaramos filas enormes e conseguimos mostrar a Monalisa ao João no Louvre (foco, muito foco no objetivo neste museu gigantesco). E a parte do Egito, que ele pirou. Também quis ir ao Orsay, para falar um pouco sobre os impressionistas. Na época ele não deu muita bola, confesso. Mas Van Gogh, Monet, Renoir, Degas... reunidos em um só lugar. Porque não expor seu filho desde muito cedo ao belo, ao que te emociona? Se faz bem à sua alma, vai fazer bem a dele também.

Programa ao ar livre divertido foi a Roda-Gigante. Quando fomos, ela ainda estava montada na Place de la Concorde. Parece que agora está nas Tuilleries. O ingresso custa 6 euros e dá direito a várias voltas. Lá do alto é possível ver os pontos turísticos mais famosos da cidade. Quase congelamos, mas João adorou.

Agora, uma das melhores descobertas da temporada com o João foi o Cirque d'Hiver, um espaço de sonhos para pais e filhos. O belíssimo edifício oval fundado em 1852 pelo Imperador Napoleão III  apresenta um espetáculo bem "à moda antiga". Enquanto no picadeiro desfilam trapezistas, mágicos e malabaristas... Na platéia lembrando um pequeno coliseu, as crianças perdem o fôlego, gargalham, aplaudem... Ah, sim, mães e pais se arrepiam, ficam com olhos cheios d'água. E quando a Mulher-Bala entra em cena ninguém pisca. Programa imperdível e lindo de morrer.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Berlim & Munique, por Verônica Peixoto

Verônica Peixoto é fotógrafa e foi recentemente para a Alemanha com o marido e os dois filhos, Gabriel e Theo, de 10 e 8 anos. Os meninos estudam numa escola alemã no Rio e num primeiro momento a ideia de viajar para Berlim e Munique surgiu para praticar a língua e para sentir a cultura. A família adorou e Verônica nos conta por que em um resumo dos melhores momentos da viagem.

Passeio obrigatório com as crianças em Berlim é pairar de balão sobre a cidade. São 15 minutos, preço justo, olhos arregalados. http://www.air-service-berlin.de/index.php5?page=11-0-0-0-1-2-2&lang=2. Na área cultural, existe a Ilha dos Museus, um patrimônio da humanidade, com cinco prédios que reunem de achados arqueológicos a arte europeia. (Leia mais: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1266131,00.html). Em frente, de brinde, tem um parque ótimo, com a réplica de um castelo medieval. "Aliás, o que mais existe em Berlim são parquinhos inteligentes com labirintos, brinquedos artesanais, feitos de pneus, em todos os bairros." E ainda: o zoológico é imperdível, assim como o aquário: http://www.zoo-berlin.de/. E, claro, as bicicletas... a família inteira curte a aventura, que normalmente começa Portão de Brandenburgo.

Em Munique, a grande atração para os meninos fanáticos por futebol é o estádio do Bayern - onde é possível visitar o campo, os vestiários, comprar lembrancinhas. Outra parada imperdível é o Deutsches Museum (http://www.deutsches-museum.de/), considerado por muita gente o melhor museu de ciência e tecnologia do mundo. Theo e Gabriel curtiram uma tarde inteira por lá.

Os castelos nos arredores de Munique ficaram para uma próxima oportunidade. E, de curiosa que sou, ainda pesquisei outros passeios, como o Englischer Garten - um parque imenso que se espalha do centro de Munique (perto da Odeonsplatz) até o Norte da cidade, com gramados, colinas, lagos, diversão garantida para a criançada e para os pais. E o Hellabrunn, zoológico de 23 hectares, 5000 animais, atividades interativas, passeios de camelo, ponte que balança. Parece que vale a visita: http://www.tierpark-hellabrunn.de/index.php?id=7&L=1.

Theo e Gabriel, Alemanha, julho de 2010

Tea Garten, Berlim
Ilha dos Museus, Berlim
Aquário Munique

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Londres 1 - Mind The Gap!

Tudo bem: a globalização mudou o mundo, diminuiu fronteiras, aproximou culturas e tal e coisa. Ainda assim Londres se mantem tão única e singular, se orgulhando das diferenças, que, ao primeiro olhar, às vezes causa certo estranhamento. Talvez não seja um caso de amor a primeira vista. Mas esta pode ser daquelas paixões que acontecem aos poucos e, um belo dia, o lugar já não sai mais do pensamento. Muitas qualidades fazem de Londres/Reino Unido um dos destinos mais atraentes e inesquecíveis do mundo.

Para começar a forte personalidade da ilha com a vasta variedade de tudo: paisagem, cultura, literatura, arte, arquitetura e uma história riquíssima. Passando em seguida pelo jeito extremamente "polite" do inglês, gentileza comprovada nas diversas vezes que enfrentei as escadarias do metrô carregando o João no carrinho sempre com a ajuda de um amigável desconhecido. Depois a Inglaterra consegue, como poucos países do mundo, ensinar "entretendo". A dose exata de tradição e modernidade. Arte e diversão. Ideal para atrair olhares curiosos do público infantil ávido por novidades mas que se entedia facilmente das atrações didáticas demais ou dinâmicas de menos. Estivemos algumas vezes no Reuno Unido no período em que minha mãe morava em Londres. O João nos acompanhou em todas. Mesmo sendo bem pequeno na época, ele lembra com muito carinho de cada temporada e pede sempre pra voltarmos.

Por isso se você quer uma viagem cultural que agrade a gostos, idades e interesses distintos, o Reino Unido com Londres em especial, são caso seríssimo a se pensar.

- A libra esterlina, com cotação normalmente mais alta que o dolar e o euro, de cara assusta sim. Mas com um pouco de pesquisa e paciência, você consegue hoteis confortáveis, bem localizados e mais baratos. Os restaurantes são caros de um modo geral, mas as refeições semi-prontas vendidas em supermercados, bem mais em conta, gostosas e nutritivas até.

- Outra sugestão econômica para visitar Londres com a família é abusar dos famosos ônibus vermelhos que circulam fartamente pela cidade. Baratos para adultos e de graça para menores de onze anos, são uma atração a parte para as crianças, com escada e vista panoramica no segundo andar. Divertidos para a garotada porém com preços mais salgados, os famosos "Cabs", táxis londrinos compensam para curtas distâncias ou momentos de desespero e cansaço extremo. Valem o passeio, curto que seja. Que criança não acha graça em perambular por aí a bordo de um carro espaçoso, com bancos virados para ambos os lados e pilotado na mão inglesa? Aliás, descobrir as tradicionais diferenças do estilo britânico sob os olhos do seu filho vai ser um dos grandes baratos desta viagem.

- O cinematográfico "fog" ao melhor estilo "Jack o Estripador" já não causa tanto espanto. É verdade que na Grã Bretanha chove bem mais do que estamos acostumados. Mas olhando pelo lado bom, o tempo lá não é firme em nenhuma época do ano, por isso são raros os períodos longos de tempestades e temperaturas extremas. Ou seja, o céu ficou tenebroso de repente, pode clarear num piscar de olhos. Só esteja preparada para tudo. Um dia ensolarado e agradável em pleno inverno ou até chuva fina e fria no verão. Sombrinha e capas de chuva na mochila sempre.

- Cada estação tem o seu charme e atrações. No inverno londrino, invista nas infinitas atividades internas, museus imperdíveis, espetáculos de teatro, lojas tradicionais que fazem adultos e crianças sonhar e até nos centros comunitários de bairros residenciais com playgrounds cobertos e aquecidos(as vezes cobram uma pequena taxa mas são diversão garantida).

- No verão, como em todas as cidades europeias, a vida acontece ao ar livre. Londres está lotada de parques super agradáveis e muito bem-cuidados.

- Acordaram dispostos para uma boa caminhada? Sugerimos começar pela "The Mall", ampla e larga avenida que liga a Trafalgar Square ao Palácio de Buckingham. Seguindo o traçado da trilha construída no reinado de Carlos II, já foi o passeio mais elegante e cosmopolita da cidade. Até hoje a alameda guarda o glamour de outros tempos, sendo usada para desfiles em ocasiões especiais. Sigam alguns metros "entrando no clima" e imaginando com as crianças quantos séculos de realeza não passaram por ali, em trajes luxuosos e carruagens pomposas...

- Um pouco mais adiante, vocês vão estar diante da residencia oficial da rainha em Londres. No Palácio de Buckingham acontece, pontualmente às 11h30m, a cerimonia da troca da guarda. Diariamente nos meses de verão e em dias alternados no resto do ano. É inevitável: centenas de turistas vão provavelmente ter a mesma idéia que vocês. Por isso, vale a dica: chegar com alguma antecedência e se posicionar nos portões laterais, pois não ficam tão abarrotados. Por ali é feita a entrada dos regimentos e assim as crianças ficam bem pertinho dos soldados. A saída pelo portão central tem direito a banda escocesa e tudo. Desde 1992, a rainha passou a abrir as portas do palácio para visitação pública durante o verão, quando passa férias na Escócia. Uma atração bacana, se o bolso permitir, pela curiosidade de entrar nos salões oficiais de Buckingham, pois os aposentos privados de "Your Majesty" e cia ficam rigorosamente fechados.

- E que tal pausa para cachorro-quente no gramado de um dos cenários mais lindos da cidade? Em frente ao palácio, fica o St James Park e suas árvores de desenhos incríveis, lagos cheios de patos, cisnes e pelicanos que parecem barcos voando na água. Esquilos desinibidos vem bem pertinho atrás de petiscos para delírio das crianças. Explorem juntos o simpático playground com brinquedos de madeira.

- Se sobrar folego, saindo do parque caminhe até a Trafalgar Square, praça no coração da cidade que homenageia a vitória da Marinha Real Britânica nas Guerras Napoleonicas. A estátua do almirante Nelson, comandante na Batalha de Trafalgar, vigiada por quatro enormes leões em bronze, de cara chamam a atenção dos mais novos. Ao norte, encontramos a National Gallery, principal museu de Londres, com mais de 2300 obras, a maioria em exposição permanente. E o melhor de tudo, totalmente gratuito. Por menor que seu filho seja, sugerimos uma rápida subida pela escadaria do hall central e entrar a direita na sala com pinturas de 1700 a 1900. Mostre, por mais que ele ainda não tenha exata compreensão, a luz que irradia dos Girassóis de Van Gogh. Uma beleza. Na ala a esquerda da escadaria, brilha o gênio de Leonardo da Vinci na tela "Desenho de Leonardo", da Virgem e o Menino, santa Ana e João Batista. Claro que o museu oferece ainda muitas outras emoções com as paisagens de John Constable e William Turner, ou o único nu de Velásquez. Mas como sabemos, o prazo de validade do seu filho pode expirar a qualquer momento e o importante é ter poder de síntese em museus grandes demais.(http://www.royal.gov.uk/; http://www.nationalgallery.org.uk/)

- Não muito distante da Trafalgar Square, um bairro animadíssimo para toda a família. Até 1973 o Convent Garden era uma área de ruas e armazens decadentes. Mas depois de uma grande revitalização, os prédios vizinhos ao mercado vitoriano se transformaram em excelentes lojas, restaurantes, bares e cafés que hoje atraem uma multidão de gente bacana a qualquer hora do dia ou da noite. O lugar ganha ainda mais vida com a presença de artistas de rua que distraem o público infantil e adulto com números ao ar livre. Ah, sim, tem uma loja da Disney bem no meio do buxixo.

- Nas cercanias, fica ainda o Museu do Transporte de Londres, com uma coleção de ônibus, bondes, trens e metrôs, desde os primeiros veículos de traçao animal até os dias de hoje. Acabamos não conseguindo visitar em nenhuma das vezes que estivemos na cidade, mas sempre ouvi ótimos comentários a respeito. Mais um motivo pra voltar a Londres! http://www.ltmuseum.co.uk/

- O Big Ben está para Londres assim como a Torre Eiffel para Paris e o Cristo para o Rio de Janeiro. Certamente seus filhos já conhecem o relógio mais famoso do mundo de fotos ou clássicos do cinema como Peter Pan. Para as crianças este vai ser sem dúvida um "personagem" marcante da viagem. Portanto, se o tempo ajudar, preparem o espírito e as cameras para "o" passeio ao ar livre com sucesso garantido. Na verdade, Big Ben é o nome do sino de 14 toneladas que badala pontualmente a cada hora cheia. A torre do relógio marcando a hora exata da nação desde 1859 fica no Parlamento Inglês, lugar onde os projetos são debatidos pelas duas camaras, a dos Lordes e a dos Comuns, antes de se tornarem lei. Às margens do Rio Tamisa desde o século 16, o belo edifício está aberto a visitantes que queiram inclusive assistir às sessões, em horários sob consulta. http://www.parliament.uk/

- Reservem alguns minutos para visitar, quase em frente, a igreja mais antiga e importante de Londres, a Abadia de Westminster. Lugar mágico, cenário de muitas coroações e casamentos reais. Ali estão sepultados dezessete monarcas, além das principais figuras públicas da Grã-Bretanha, de políticos a poetas. Algumas curiosidades que podem interessar aos miúdos: o primeiro a ser coroado na abadia foi Guilherme o Conquistador, no Natal de 1066. Diretamente de Westminster foi transmitida a cerimonia de despedida da Princesa Diana, em 1997, acompanhada por milhões de pessoas em todo o mundo, com lágrimas, emoção e "canja" de Sir Elton John. Com exceção dos claustros e da bonita capela de St Margareth, com entrada gratuitas, o acesso ao interior igreja é cobrado. Se o orçamento permitir, vale cada penny das salgadas 15 libras de ingresso. http://www.westminter-abbey.org/

- Descendo pela Parliament Street, dois bons "spots" para fotos. Primeiro, em frente ao número 10 da Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro britânico, pelo valor histórico. E depois a Horse Guards, área de desfiles, para poses clássicas do filhote ao lado dos guardas e cavalos paradinhos feito estátuas, sem nem piscar!

- Atravessando a ponte Westminster, um símbolo da Inglaterra moderna. A roda gigante London Eye. O imenso olho com 135 metros de altura instalado no ano 2000 em South Bank para comemorar a chegada do novo milênio. Era para ficar apenas um tempo, mas acabou se tornando uma grande atração, recebendo mais de três milhões e meio de visitantes por ano. Aproveitem um dia claro para dar a volta com meia hora de duração e brincar com o filhote de "onde está wally", procurando cartões postais lá do alto, de onde os olhos podem alcançar a distancia de até 42 quilometros. Consulte o site para informações curiosas, como: cada cabine da roda gigante viaja a 0,9 km por hora, o dobro da velocidade de uma tartaruga. Estas novidades sempre tornam o passeio com as crianças mais divertido. http://www.londoneye.com/

- A pouquíssimos passos da roda apelidada pelo João de "aro de bicicleta gigante" encontramos o prédio que já foi a sede do Conselho do Condado de Londres e hoje está cheio de atrações para todas as idades, principalmente os mais novos. Como o Aquário de Londres, com enorme variedade de peixes, sempre um tiro certo. As crianças adoram fazer "carinho" e alimentar as arraias, ver os cavalos-marinhos e as super-lagostas. E certamente nem vão piscar na hora de atravessar a plataforma flutuante de vidro entre tubarões e cardumes prateados. http://www.sealife.co.uk/

- Outra area do prédio, de exposições temporárias, reserva ótimas surpresas. Certa vez nos deparamos com uma mostra incrível sobre a série Star Wars, com a presença "ao vivo" de personagens e um curso rápido para aprendizes de Jedi. A mostra The Movieum, em cartaz por tempo indeterminado, leva o visitante a uma viagem pelo mundo do cinema. Vale a pena conferir a programação no site. http://www.londoncountyhall.com/

- Regent´s Park e London Zoo - Parque batizado em homenagem ao Príncipe Regente tem, ao sul, a maior concentração de casas georgianas da cidade, e a nordeste, a divertida Candem Town, com seus movimentados mercados, lojas e cafés. Cercado por elegantes edifícios o Regents Park é hoje um dos mais movimentados e refinados refugios londrinos. Excelente opção de lazer, com teatro ao ar livre, parquinho bem simpático, grande lago com barcos e patos em diveras cores e tamanhos. Por falar na bicharada, o Regent´s Park abriga o zoológico de Londres, lugar agradável para passar o dia. Destaque para os gorilas e os meio esquisitoes mas sempre intrigantes dragões de Comodo. Na entrada eles fornecem a "agenda" com horários das refeições dos animais. Que criança não vai gostar de assistir aos leões famintos fazendo uma "boquinha"? Vale ainda uma passada no zoologico mirim, onde os mais novos vão gostar de tocar e alimentar filhotes de ovelhas, cabras e coelhos, e etc.

- No alto de uma colina a minutos de distância, um precioso refúgio:parque frequentado essencialmente por londrinos, com mais de 790 acres, lagos para nadar e pescar, uma vista belíssima da capital. Aos domingos o Hampstead Heath ganha um ar meio mágico, animadíssimo, enfeitado por pipas coloridas, crianças felizes da vida e atletas de fim de semana se exercitando. O bairro de Hampstead, que abriga o "the Heath", conserva até hoje a atmosfera de outras épocas, quando era um antigo povoado que mais tarde foi englobado pela metrópole. Lar de artistas e escritores desde os tempos georgianos está, ao lado de Highgate, entre as áreas residenciais mais cobiçadas de Londres.

- O Tamisa era a principal via de boa parte do comércio do país desde a época do romanos até a década de 1950. Hoje é uma das principais opções de lazer de Londres. Cruzeiros com duração de 30 minutos podem ser uma agradável maneira de conhecer a capital da ilha, desde o rio do Parlamento até a Tower Bridge ou até para visitar lugares mais afastados.

- Várias áreas próximas ao rio definitivamente merecem visita, pois agradam a gregos e troianos, são passeios deliciosos para todas as idades. Para uma sexta-feira ou sábado de sol, comecem com uma rápida passada no Borough Market, mercado de origem nos tempos medievais que oferece alimentos de muita qualidade, além de frutas e verduras. Alegre, divertido e cheio de cores.

- Perto ali, um barco pirata ancorado no cais vai com certeza chamar a atenção da garotada. Vem a ser a réplica do Golden Hinde, que foi comandado pelo capitão Sir Francis Drake na sua viagem de volta ao mundo. Em 1577, Drake partiu do porto de Plymouth, com permissão da Rainha Elizabeth I para atacar e saquear qualquer navio inimigo da Inglaterra. Não a toa até hoje na Espanha Drake e sua trupe são conhecidos como "piratas". Pois o capitão "capturou" tantos tesouros para a Grã Bretanha, que na volta foi condecorado, conquistando dinheiro e fama. O navio original não resistiu ao tempo, mas mesmo assim, se o orçamento permitir, recomendamos uma visita a réplica reconstruída com perfeição. http://www.goldenhinde.com/

- Caminhando alguns metros, você vai estar diante de um teatro circular em estilo totalmente elizabetano. O Shakespeare´s Globe foi o primeiro lugar a exibir teto de palha na cidade após o grande incêndio de 1666. Fica perto do Globe original onde estrearam muitas peças de William Shakespeare(você pode agendar visitas para a parte interna). Pode ser interessante falar um pouco para seu filho sobre aquele que é para muitos o maior dramaturgo de todos os tempos. http://www.shakespeares-globe.org/

João no Reino Unido (épocas diferentes)










Londres - Parte 2

- Passeio cultural bacana e imperdível para toda a família na margem sul do Tamisa, com toda certeza, é a Tate Modern. A antiga usina elétrica de Bankside foi totalmente reformada em 2006 para abrigar o museu dinâmico, vivo, e um dos acervos de arte moderna mais importantes do mundo. A entrada oeste conduz o visitante ao Turbine Hall, espaço onde a cada ano um artista é selecionado para criar uma instalação diferente. A francesa Louise Bourgeois, expos três torres gigantes ao lado de uma imensa aranha. A colombiana Doris Salcedo expressou o olhar do imigrante que chega ao coração da Europa: uma rachadura de 167 metros de distância cortando o chão do Hall para retratar, segundo a própria artista, a segregação racial. Difícil para as crianças entenderem? Talvez. Mas impossível não despertar interesse.

- Uma grande escada rolante conduz os visitantes aos três andares onde estão as galerias, organizadas por tema e não por ordem cronológica, como na maioria dos museus de arte. Áreas interativas espalhadas em alguns andares divertem a criançada. No terceiro andar, destaque para as pinturas de Cezanne e as Water Lillies, de Monet. Igualmente instigantes, obras de artistas que tentaram definir o corpo, como Lucien Freud e Pablo Picasso, no quinto andar. Se o prazo de validade do filhote está prestes a vencer, deêm uma volta pelo prédio para respirar e apreciar as magníficas vistas que as galerias de vidro oferecem. http://www.tate.org.uk/

- Ao atravessar a Ponte do Milênio em direção a margem norte, logo salta aos olhos um domo de 111 metros de altura. Ele pertence a belíssima Catedral de São Paulo, que, assim como boa parte de Londres, literalmente ressurgiu das cinzas depois do incêndio de 1666. A reforma se tornou a grande obra prima de Christopher Wren - cientista que virou arquiteto aos 31 anos - responsável por projetar mais de 52 novas igrejas na reconstrução da cidade. Esta, cenário de inúmeras cerimônias oficiais, sem dúvida é uma das mais lindas. Se tiverem disposição para entrar (ingresso 11 libras para adultos, crianças até 7 anos não pagam), subam até a galeria dos sussuros, que, graças a uma acústica incomum permite que palavras pronunciadas bem baixinho contra a parede sejam escutadas do lado oposto da igreja. Ótimo para brincar de telefone sem fio. A catedral fecha para visitas aos domingos. http://www.stpauls.co.uk/

- Dias ou momentos de chuva, como se sabe, tem grandes chances de acontecer durante sua estada. Então, esteja preparada. Comece pelo Museu de História Natural, disparado um dos melhores programas de Londres. Reserve um dia inteiro, se possível até mais, para conhecer esta espécie de parque de diversões onde as crianças aprendem de tudo um pouco. A começar pelo prédio, uma mistura de castelo com casa mal-assombrada, construído com uma técnica revolucionária para 1881, um elaboradíssimo trabalho em pedra para esconder a estrutura de ferro e aço. Concebido para ser uma espécie de "catedral da ciência", ali encontramos criativas exposições com temas como ecologia, evolução da Terra, origem das espécies e a própria trajetória humana. Tudo muito explicado, de forma simples, dinâmica e fácil. As atrações estão divididas por cores em quatro zonas. Seu filho certamente vai chegar perguntando pelas maiores vedetes do museu, os incríveis gigantes pré-históricos. E realmente a galeria dos dinossauros corresponde a qualquer expectativa. A réplica do T-Rex, um robô que move a cabeça e emite sons incríveis, é de cair o queixo até dos adultos. Mas ainda existem várias outras atrações igualmente imperdíveis, como a reconstituição de uma floresta tropical que inclui até som de insetos. A Galeria Terra conta toda a história do planeta e de seus fartos recursos naturais. O simulador de um terremoto mostra como o tremor acontece dentro de um supermercado no Japão e sacode, literalmente, a garotada. A seção interativa sobre o corpo humano ou a réplica da baleia azul, o maior ser vivo do planeta, prometem novas emoções para pais e filhos. Um dos setores preferidos do João é o "Creepy Crawlies", as criaturas arrepiantes, ou coisa parecida. Uma exposição didática e divertida sobre insetos, vermes, fungos, bactérias... Tudo que a primeira vista pode parecer meio nojento. Mas o museu aproveita a "bizarra" atração natural que toda a criança tem por estes seres para ensinar. E ver seu filho observando, por exemplo, uma colônia inteira de formigas em atividade ou descobrindo as formas de vida invisíveis que estão escondidas na lata de lixo de casa pode ser uma experiência e tanto. http://www.nhm.ac.uk/

- Ao lado do Museu de Historia Natural, fica o Museu da Ciência. Bastante interessante, principalmente para crianças maiores. Vale a visita se a estada na cidade for longa. No acervo, peças magnifícas narram os avanços científicos e tecnologicos através dos séculos. A exposição vai desde os motores a vapor até as aeronaves mais modernas. No subsolo, galerias interativas divertem e relaxam a criançada depois de tanta informação. O museu é bem grande, são sete andares. A dica então é escolher os dois ou três temas que mais agradem a família. Destaque, no terreo, para a nave espacial Apollo 10, que levou três astronautas a Lua e os trouxe de volta em maio de 1969. O primeiro andar mostra a elaboração de objetos inesperados. Já no terceiro andar encontramos itens como aviões e aeroplanos. Os quarto e quinto andares são dedicados as ciências médicas. A moderna Wellcome Wing, na entrada oeste do edifício, oferece quatro andares de tecnologia interativa, como a exploracao de um mundo virtual de som e imagem. Na saída, deem uma passada na loja, cheia de presentinhos incríveis. http://www.sciencemuseum.org.uk/

- Museu de Cera Mme Tussaud´s - Os preços assustam um pouco e tenho lá minhas dúvidas se o lugar deve realmente ser chamado de "museu". Mas esta atração é considerada a melhor do mundo no gênero e parada obrigatória, com diversão garantida para todas as idades. Algumas esculturas de cera são facilmente confundidas com o personagem original. Outras, nem tão perfeitas assim, distraem os visitantes em uma espécie de jogo de "adivinha quem é"? De qualquer forma, quem não ia adorar tirar fotos ao lado do Homem-Aranha, Indiana Jones ou do ogro mais famoso do cinema? E se já for adolescente, seu filho possivelmente vai achar graça em posar e "tirar onda" abraçando as maiores celebridades do momento. Espalhados em várias salas, políticos, figuras da realeza se misturam a ídolos Pop e a artistas do passado e do presente. As réplicas de Pelé e Ayrton Senna, mesmo não sendo das melhores, enchem de orgulho a garotada brasileira. A Camara do Horror é uma seção bastante famosa, porém de gosto meio duvidoso. Além de máscaras mortuárias originais da Revolução Francesa, há reconstituições assustadoras de assassinatos, execuções e torturas. Totalmente dispensável para crianças menores. Em compensação, a exposição final, The Spirit of London" convida todos para um encantador passeio pela história da cidade a bordo de um taxi londrino. Uma viagem no tempo, desde a Revolução Industrial, passando pelo incêndio e pela peste que quase destruíram Londres e fatos marcantes como as duas guerras e o efervescente período hippie. Um barato, com o detalhe de que as crianças podem repetir várias vezes o trajeto. Só cuidado com a mega cilada bem na saída da atração: aquelas máquininhas estilo "garra" com supostos prêmios que quase nunca conseguimos pescar, mas que levam boa parte das nossas moedas. www.madametussauds.com.

- A alguns passos do Museu de Cera, não por acaso na rua Baker Street, uma simpática casa vitoriana logo chama a atenção. Se as crianças nunca ouviram falar em Sherlock Holmes, esta pode ser uma ótima oportunidade de apresentar a elas o mundo de um dos maiores detetives da literatura. De acordo com as histórias de Sir Arthur Conan Doyle, Holmes( e seu inseparável companheiro Dr. Watson) viveram no número 221b da Baker Street durante mais de vinte anos. A casa foi reconstituída conforme a descrição exata dos livros e filmes, inclusive com móveis e objetos que perteceram famoso personagem na ficção. Vale ao menos uma foto do filhote em frente a fachada principal. http://www.sherlock-holmes.co.uk/

- Crianças são curiosas e adoram explorar novos horizontes. Com seu filho não há de ser diferente. Então que tal convidar o pequeno aventureiro a desbravar civilizações que remontam a milhares de anos dentro do British Museum? Só que o museu público mais antigo do mundo, criado em 1753 para abrigar o acervo do médico Hans Sloane, exibe hoje itens de todas as partes globo terrestre e é imenso. Por isso, exige um certo "foco no objetivo" para não estafar os pequenos. Sugerimos, claro, a sempre impressionante galeria egípcia, logo no piso principal. A famosa e vastíssima coleção de múmias(inclui até animais que eram enterrados junto com pessoas no Egito Antigo) com sarcófagos, máscaras mortuárias e outros objetos costuma fazer sucesso com as crianças. Vale mostrar também, ainda que seu filho não entenda o porquê de tanto barulho em torno de um pedaço de granito, um dos blocos mais importantes da história: a Pedra de Roseta que permitiu a decifração dos hieróglifos no século 19. Não deixe de passar pelos acervos romano e grego, com as incríveis esculturas do Partenon, trazidas para Londres pelo Lorde Elgin, por volta de 1802, que ocupam uma galeria especial. Ao sair, se as crianças estiverem um pouco cansadas de tanta informação, sugerimos pausa para comprinhas, ou simplesmente para olhar, duas lojinhas bacanas. A primeira, mais próxima ao museu, lotada de miniaturas e produtos para colecionadores. A outra, a alguns minutos de caminhada, se chama Forbidden Planet. Ao entrar, vocês vão descobrir que apenas "olhar" não chega a ser proibido, mas, sim, quase impossível.
www.forbiddenplanet.com; http://www.thebritishmuseum.ac.uk/

- Para finalizar, dois pontos turísticos obrigatórios, ainda mais para pais viajando com suas crias. A Tower Bridge, obra da engenharia vitoriana projetada em 1894, um símbolo da cidade, com suas passarelas que oferecem belas vistas do rio aos visitantes merecem alguns minutinhos de atenção... E, em seguida, a Torre de Londres, fortaleza construída por Guilherme, o Conquistador, para proteger a entrada da cidade, logo depois que ele se tornou rei, em 1066. Imaginem que em 1097, quando a "Torre Branca" ficou pronta, era a construção mais alta de Londres, com 27 metros de altura. Ao longo dos séculos, vários outros belos edíficios foram acrescentados ao complexo. Histórias para manter o interesse das crianças não faltam por ali. Pois a torre já serviu de residência real, arsenal, tesouro e, o que costuma gerar excitação na garotada, abrigava a prisão para os inimigos da Coroa. Abusem do talento meio "Forest Gump" que existe em cada um e divirtam-se juntos com os milhares de casos e mistérios que cercam o lugar. Em 1453, por exemplo, os filhos e herdeiros de Eduardo IV, desapareceram após serem presos na "Torre Sangrenta". Já na "Torre Verde" eram executados os prisioneiros especiais. Ali, distante da multidão, morreram duas das seis esposas de Henrique VIII: a mais conhecida delas, a controvertida Ana Bolena, uma das responsáveis por mudanças religiosas importantíssimas na Grã-Bretanha, com consequencias em todo o mundo. Ana jamais conseguiu dar ao rei o filho homem desesperadamente desejado. Ansioso para se casar novamente, Henrique VII a acusou de adultério e traição. Ninguém sabe se foi verdade, mas mesmo assim, Ana acabou presa e decapitada na torre. Hoje, porém, os habitantes mais famosos são os sete corvos. Reza a lenda que o reino cairá no dia em que os animais não estiverem mais por ali. Será? Por via das dúvidas, eles vem sendo substituídos por outros ao longo dos anos. Os "Beefeaters", membros da guarda real que protegem e vivem na torre usando uniforme em estilo Tudor, também devem atrair olhares curiosos dos pequenos. Talvez a mais famosa atração do lugar seja a a coleção de jóias da coroa, peças que fazem os olhos brilhar e a imaginação voar longe. O cetro com a Cruz, de 1660, contém um dos maiores diamantes do mundo e a coroa feita para a Rainha Vitória em 1837, usada em todas as coroações posteriores, são incríveis mesmo. http://www.tower-of-london.org.uk/