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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os meninos da Joana - Japão e Turquia (épocas diferentes)







Japão não é destino de criança (com menos de 7 anos!), por Joana Thimóteo

Em outubro de 2007 resolvi acompanhar meu marido em uma viagem ao Japão. Antonio, meu filho, de 4 meses na época, foi também. Achei a idéia genial. Fazia um pouco mais de um ano que eu morava em Pequim e pensar em já levar meu filhote para conhecer um país tão especial era maravilhoso.

Como era apenas a segunda viagem do Antonio (a primeira tinha sido do Rio para Pequim, onde morávamos), eu estava bastante insegura. Não sabia o que ia encontrar e ouvia diariamente meu marido dizer que “o Japão era primeiro mundo, que eu não precisava levar nada, lá encontraríamos TUDO o que precisássemos”.  Se ingenuidade matasse hoje eu estaria morta. Acreditando no Pedro, que até então só tinha ido ao Japão como jornalista e jamais como pai, eu não levei praticamente nada. Até porque os preços de excesso de bagagem são caríssimos no Japão. Um quilo extra é uma fortuna. 

E foi de forma compacta que cheguei ao meu destino. Logo na chegada perguntei a equipe de trabalho do Pedro onde poderia comprar umas coisinhas básicas: leite NAN, fraldas Pampers, Johnson ou Huggies, cremes anti-assadura e um esterilizador de mamadeira (tinha levado um pouco de tudo, mas queria saber onde poderia me reabastecer). Para minha total surpresa ninguém fazia idéia do que eu estava falando. Neste momento tive a certeza que alguma coisa não estava bem.  

Olhei para o Pedro (com aquele olhar que só uma mulher sabe dar) e pensei, "quero ir para casa". Pedro, tentando me acalmar, sugeriu que eu fosse até uma famosa loja de departamento, a Takashimaya (que mais parece com o Corte Inglês, a Harrold’s ou o Bloomingdales, mas nada parecida com um supermercado ou farmácia). Claro que não encontrei nenhum dos produtos que procurava. Nada. Fiquei desesperada. Não achei em lugar nenhum pela rua. Nem em farmácias, mini-supermercados, nada. O que o Antonio, de 4 meses, ia comer? Era o que eu pensava enquanto as horas passavam. 

Consegui que um amigo me levasse até um supermercado longe, bem longe. Com muita paciência achei alguns produtos que eu precisava, mas tudo na versão japonesa. Fraldas japonesas, leite japonês, e pasmem, eles não usam creme anti-assadura. Eu tava tensa e não sabia se o leite serviria, já que não dizia idade nem nada na embalagem. Respirei fundo, dei o leite e rezei. Muito. Deu tudo certo. Antonio não reclamou, não teve alergia e a viagem continuou (esqueci de contar que as fraldas eram péssimas, vazava xixi toda hora).

O que eu aprendi a partir desta experiência foi sempre antes de viajar dar uma pesquisada prática no destino escolhido. Entro sempre num site de um supermercado do local e vejo com quais produtos eles trabalham. Uso as tabelas para encontrar as similaridades e às vezes até consulto o pediatra. 

Leite, fralda, e coisas básicas, passei a levar em maior quantidade, assim tenho 3 ou 4 dias para me entender com o lugar e às vezes, quando sinto que o lugar não é tão simples assim, levo leite em sacos Zip Lock (são perfeitos para isso) para toda a viagem. São regrinhas básicas que me ensinaram a ter viagens mais prazerosas.

Mas voltando ao Japão, o país é muito legal, mas para adulto. Crianças muito pequenas não são bem-vindas. Tive problema em restaurante (pelo barulho e bagunça que o Antonio fazia), no trem (pois eles queriam silêncio absoluto principalmente nas melhores classes), em alguns hotéis (pois reclamavam do choro noturno) e no metrô (pois poucas estações têm elevador para os carrinhos. Tive que subir e descer muitas escadas com o carrinho na mão).

Apesar de ter gostado do país e, principalmente, adorei Tóquio, não levaria novamente meus filhos durante um bom tempo. Acho que a partir dos 7/8 anos a cidade e o país se tornam incríveis, mas antes disso não é nada acolhedor. 

Em Tóquio, fomos a Disney e ao zoológico UENO (que tem vários ursos panda). Bem legal esse passeio. Também tem a Casa da Música que é bem bacana. Caminhar por Guinza é uma delicia com criança, bairro das lojas e dos restaurantes, mas com vida na rua. Bem legal.

Eu já viajei muito sozinha e muito com meus pequenos, para mim os destinos por mais adultos que possam parecer podem sempre ser transformados em ótimos destinos infantis. Mas isso não vale para o Japão. As viagens são boas quando nos sentimos acolhidos pelo lugar, e o Japão, definitivamente não acolheu bem meu Antonio.