quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Montreal, outubro de 2010

Entre as ilhas Ste-Helene e Notre-Dame

Passeio pela antiga Montreal

Vista geral da cidade

Outono

Biosphère Musée 

Montreal, com Roberta e Antônio

Essa contribuição veio de NY. A Roberta acabou de se mudar para Manhattan com marido e filho. O Antonio é um pouco mais velho do que a Diana, tem quatro aninhos, e já viajou bastante. A última vez foi para Montreal - e a cidade me pareceu uma excelente opção para quem vai a NY e quer dar uma esticada em algum outro destino... que não seja a Disney! Com vocês, o que a Rob's recomenda! 

"Montreal é um daqueles lugares que faz com que a gente tenha a sensação de estar na Europa. A arquitetura, os museus e as igrejas preservam a história da cidade canadense, que teve colonização francesa e inglesa. Por muitos anos, ela foi considerada o grande pólo financeiro daquele país. Hoje, tem ares de cidade pequena, bem diferente da vizinha Toronto. As linhas de metrô – que ligam a uma gigante cidade subterrânea – permitem que os turistas fiquem perto das principais atrações turísticas. Por esses e outros motivos que, principalmente longe do inverno (que chega a 30 graus negativos), Montreal é uma excelente pedida para quem viaja com crianças. Seguem alguns programas imperdíveis:

Vieux Port – É no antigo porto da cidade que fica o Science Centre (http://www.montrealsciencecentre.com/home.html), que tem exibições e atividades exclusivas para crianças. Ali também funciona um IMAX de primeiríssima, com filmes 3D na programação. De lá, dá para ir andando até a Vieux Montreal (a parte antiga da cidade), outro passeio obrigatório.

Parc Maisonneuve – Ao redor e dentro desse parque ficam atrações que sempre fazem sucesso entre os pequenos. O Biodôme (http://www2.ville.montreal.qc.ca/biodome/site/site.php?langue=en) recria os ecossistemas com direito a bichos e fauna – de verdade – e o Olympic Park, construído para os Jogos de 1976, continua muito bem-cuidado. Ainda tem os Botanical Gardens (http://www2.ville.montreal.qc.ca/jardin/jardin.htm) e o Insectarium (http://www2.ville.montreal.qc.ca/insectae rium/en/index.php), um museu pequeno, mas repleto de insetos de todos os tipos e tamanhos.

Parc Jean-Drapeau – Duas pequenas ilhas compões o parque: a Ste-Hélène e a Notre-Dame. Na primeira, fica o surpreendente museu do meio ambiente, Biosphère, e o La Ronde, parque de diversões operado pela Six Flags (importante: durante o inverno ele fica fechado). Na segunda, que dá para chegar depois da travessia de uma ponte, estão o Circuito de Fórmula 1 Gilles Villeneuve e o Cassino de Montreal (obviamente proibido para menores).
Bagels – Dizem que as de Montreal são as melhores do mundo. Confesso que não sou especialista no assunto, mas ficamos apaixonados pelas bagels da Fairmount (http://www.fairmountbagel.com//). São mais de 20 tipos diferentes, que já foram até parar no espaço. Em 2008, um astronauta canadense levou 18 delas na espaçonave."

Around NY

Pegando carona nas dicas ótimas da Roberta, há três passeios que recomendo sempre para quem tem tempo de ir além de Manhattan. Já citamos aqui o Six Flags, parque cheio de montanha-russa, mas numa outra linha gosto muito do DIA Beacon, museu de arte moderna a menos de uma hora da City. O lugar é colorido, espaçoso, guarda esculturas enormes do Richard Serra - e dá para se chegar de trem, o que para o Luca sempre foi um passeio em si, seguindo a margem do Rio Hudson. http://www.diabeacon.org/sites/page/1/1001

A ilha de Fire Island teve seus dias de glória na era hippie, mas ainda hoje tem seu charme, mesmo para carioca que não está acostumado a pegar trem+balsa para botar os pés na areia. A uma hora e meia de NY, tem um ar meio rústico, muito bacana para o verão. http://www.fireisland.com/pages/about/

Se você der a sorte de viajar no outono, por que não alugar um carro e seguir para... Rhinebeck. Nós conhecemos a cidadezinha antes de Chelsea Clinton decidir se casar lá. Uma amiga tinha tido a mesma ideia anos antes. Ver as folhas em cores múltiplas é inesquecível, as crianças adoram rolar no chão com elas - e, perto do Halloween, ainda dá para visitar as fazendas de abóboras, enormes.

NY: Luca's Day Trips

Rhinebeck, NY - outono de 2004

Fire Island - verão de 2004

No trem para Beacon, NY - outono de 2005

DIA Beacon - outono de 2005

Fire Island - verão de 2004

Rhinebeck - outono de 2004

Rhinebeck - outono de 2004

sábado, 6 de novembro de 2010

Bali: o paraíso é logo ali, por Joana Thimóteo

Em janeiro de 2007 morávamos na China e vivíamos um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos (rigor no inverno de Pequim significa 20 graus negativos). Com todo este cenário gelado e com nosso pequeno Antonio de seis meses de idade preso em casa, achamos que o mais prudente era partirmos de férias para o hemisfério sul. Como não queríamos mudar de fuso (a adaptação ao fuso é sempre a pior parte da viagem para as crianças) resolvemos ir para Bali (12 horas de Pequim, sem vôo direto). Optamos pela Singapore Airline, a melhor empresa aérea que já viajei na vida. Impressionantemente boa com as crianças, mesmo que em classe econômica.
Bali me parecia algo exótico e excitante. Como já tinha tido experiências não muito agradáveis na Ásia, principalmente no Japão, achei melhor levar tudo, mas TUDO mesmo o que Antonio pudesse precisar.


Leite em pó, protetor, potinhos de comida, mamadeiras, esterilizador, fraldas, fraldas de piscina, berço portátil, carrinho, roupa de frio, de calor, lençol, manta, tolha, cadeira de comer inflável,  banheira inflável, ufa! Exagero? Talvez, mas sempre fui assim. Levei desde muito cedo meus filhos para todos os lugares do mundo. Sem preconceito. Mas para que desse certo sempre tive comigo tudo o que eles pudessem vir a precisar. Nada nunca faltou. Assim, eles se adaptaram e curtiram sempre todas as nossas viagens. No caso de Bali especificamente, foi tudo um exagero. O supermercado tinha as melhores marcas internacionais e eu não precisava ter levado comigo o contêiner que levei. Mas isso faz parte, erros e acertos das viagens com crianças. Uma coisa que aprendi ao longo desses anos é que os países mais desenvolvidos muitas vezes têm marcas nacionais fortes e não deixam entrar as marcas estrangeiras. Protecionismo puro. Bali, por viver do turismo, tem tudo o que um bebê estrangeiro possa precisar.


Mas vamos às férias.  Ficamos num resort no sul da ilha, em Nusa Dua. Nesta praia ficam reunidos os principais resorts da ilha. Sinceramente, com criança, é a melhor opção. Esses hotéis têm alto padrão de atendimento, a maioria conta com vários restaurantes, ficam em frente a uma praia calma e deliciosa e tem toda a infra necessária para nós mães. Se eu fosse solteira não ficaria lá, iria para o bochicho de Seminyak ou se fosse uma viagem a dois iria para o charme de Ubud.


Mas como minha realidade incluía criança, ficamos em um super hotel num tremendo “esquema família”. O hotel escolhido era todo integrado com o verde, tinha um parque legal, praia e piscina bem servidas. Nosso roteiro foi o seguinte: acordávamos cedo para ir à praia/piscina com Antonio. Na hora que o sol apertava alugávamos um carro com motorista (algo super comum e barato em Bali) e íamos passear. Sempre tentando conciliar o que nos interessava com o que pudesse interessar ao Antonio. Em Bali existem vários templos hinduístas, os mais fáceis para ir com crianças e carrinho são Uluwatu e Tanah Lot.  A região de Ubud também é deliciosa para passear com nossos pequenos. Com uma vegetação única o “bairro” parece estar dentro de uma floresta tropical.  Ali se encontram galerias de arte muito charmosas.  Uma opção de passeio que com certeza agrada pais e filhos. E claro, as praias de Kuta, Legian e Seminyak. De fácil acesso, bem longas, com areia batida e com uma orla cheia de restaurantes deliciosos para saborearmos a culinária balinesa (cuidado com a pimenta!), um ótimo destino para as crianças brincarem no fim da tarde.


E foi assim que passamos nossos maravilhosos 10 dias na ilha. Acolhidos por aquele povo simpaticíssimo e muito querido. Nos restaurantes os garçons pegavam Antonio no colo e iam passear com ele pelo lugar. Eles amam criança e tratam muito bem nós, os turistas. Mas o melhor de Bali é o preço. Pelo menos em 2007 era tudo muito barato.


- Joana Thimóteo, mãe (corajosa) de Matias e Antonio, é carioca e mora atualmente em Cascais, Portugal.

Joana, Pedro e Antonio em Bali - 2007

eu e ele no templo de Uluwatu,um dos mais famosos

meninas atacando Antonio. Elas sao loucas por bebes ocidentais

No restaurante na beira da praia de Kuta, point dos surfistas. Muita areia para criança brincar

Na praia em frente ao hotel. Calminha

Restaurante

Nós 3 de saia para podermos entrar no templo. Respeito aos deuses

Perdendo o medo

"Só há um jeito de perder o medo de viajar com filhos pequenos: viajando. Muitas vezes na nossa mente as coisas parecem mais complexas do que efetivamente são, e não há nada como a experiência para desfazer temores infundados. Isso não significa que basta embarcar e deixar acontecer, pois quando estamos com crianças um bom planejamento é mais importante do que numa viagem de gente grande." 

- Relato de Jane, professora e mãe de dois, que até pouco tempo atrás tinha medo de viajar com eles

"É preciso preparar com cuidado o roteiro, a malas e a própria cabeça. Ao montar roteiro, ajuda muito estudar o máximo sobre o destino, buscar os hotéis mais bem localizados e formular uma escala ordenando o que é imperdível, o que é prioritário e o que é opcional. É certo que essas são providências relevantes em qualquer viagem, mas quando se está com crianças evitam ter que tomar decisões importantes na hora de sair para o passeio (quando eles estão agitados e barulhentos) ou depois de um dia exaustivo (quando o seu cérebro já não funciona direito). Mas também não é bom deixar que o medo de que algo dê errado leve a um "superplanejamento" perfeccionista. Fazer um roteiro rígido demais, sem espaço para mudar de ideia ou tirar um dia de descanso pode gerar muita frustração e estresse.  Ao preparar as malas, é fundamental montar vários kits anti-roubada: levar todo tipo de roupa para evitar surpresas metereológicas (pois com criança é mais difícil fazer compras de emergência), um arsenal de remédios para todos os males e uma seleção de brinquedos e jogos para os momentos de tédio. Na bolsa de mão, lanchinhos, pequenas surpresinhas, videogame e DVD portátil ajudam a combater o mau humor. Quanto à preparação da própria mente, é fundamental minimizar as expectativas e não idealizar a mesma velocidade e aproveitamento do tempo de uma viagem convencional.  Se alguma coisa der errado, o jeito é incorporar a experiência ruim como aprendizagem e não como trauma.  Afinal, contratempos são parte do risco do empreendimento."

Jane em Paris - Julho de 2010

Tem figurinha repetida nesse blog, mas a boa notícia é que Paris sempre terá seu charme para pais e crianças viajantes. Nossa amiga Jane perdeu o medo de viajar com filhos e embarcou para Paris com seus dois meninos, um de 6 e outro de 4. O destino escolhido foi... a capital francesa. Abaixo, quatro dos passeiso favoritos da família no verão desse ano.

- Les Tuileries:  para contemplar, para flanar, para correr, para rolar na grama.  No verão, é montado um grande parque de diversões com roda gigante, minimontanha russa, camas elásticas, carrosséis e muito mais. Um programa que pode se revelar mais divertido e menos cansativo para crianças pequenas (e para os pais) do que a sonhada Eurodisney. 

- A Torre Eiffel:  o passeio turistão obrigatório mais indicado para fazer com filhos pequenos.  Eles nos fazem ver com olhos de primeira vez o quão encantador e especial é ir até o topo daquela delicada trama de ferro. 

- La Villette: Um parque moderno e supreendente. Um dia inteiro pode não bastar. O Museu das ciências é interativo e mesmo os mais novinhos podem curtir, embora seja mais proveitoso para crianças com mais de 5 anos. O Argonauta, um submarino de guerra autêntico, desativado na década de 80, é muito interessante. Já o Parque de La Villete possui dez jardins temáticos. O Jardim do Dragão com seu escorrega de 80 metros é imperdível. Há ainda a Géode (espaço de projeção em 3D), a Cité des Enfants (com atividades para variadas faixas etárias) e a Cité de la Musique.

- Château  e Bois de Vincennes: Vincennes é uma pequena cidade na periferia de Paris, onde se chega de metrô em cerca de 15 a 20 minutos. É um lugar perfeito para passar um dia ao ar livre. Lá há um maravilhoso castelo do século XIV, o Jardim Botânico de Paris (Parc Floral) e o Zoológico (atualmente fechado para reformas), todos  próximos uns dos outros. O Parque Floral é lindo e abriga um espaço com brinquedos. No bosque  pode-se alugar bicicletas.

- Por Jane, mãe de dois, que acha que Paris é o melhor parque de diversões da humanidade.

Dani e Maria Antonia - NY em 2008

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As viagens de Dani e Maria Antonia

Daniela é advogada e mãe de Maria Antonia, de 9 anos. Como gosta de dizer, passa a vida viajando ou planejando o próximo destino. O melhor é que: tal mãe, tal filha, as duas adoram viajar. Quando pedimos à Dani que colaborasse com o Blog, ela teve uma dificuldade: escolher apenas uma viagem inesquecível. Por isso, abaixo alguns dos melhores momentos de mãe e filha pelo mundo.

"Dentro do Brasil citaria: Cumbuco no Ceará, no Hotel Golfinho. Cumbuco é basicamente uma única praia que tem um único restaurante (do Gaúcho), mas os dias estavam lindos, a água do mar uma delícia - e é uma viagem extremamente barata para se fazer com um grupo grande, como eu fiz. Muitas amigas, família e crianças; reservamos praticamente o hotel todo! Próximo a Cumbuco, tem o parque de águas (Beach Park), que é bem divertido, organizado, perfeito para as crianças. Os Club Meds também são uma ótima opção, mas só recorro a eles quando estou sem imaginação.

Com relação a viagens internacionais, fomos a Paris, Miami, Disney, Caribe, México, Belize... mas não posso deixar de escrever sobre Nova York, onde ela nasceu e retornamos todos os anos!


NY é um lugar em que não preciso pensar em roteiro, locomoção, agenda... as coisas acontecem naturalmente, as novidades pulam na sua frente em cada esquina e a sensação é de estar indo a um lugar novo a cada vez que se visita! Novas lojas, novos parques, novos bichos no Bronx Zoo, no Central Park Zoo... e muitos e muitos amigos que moram lá.


Uma boa dica, ainda mais indo a NY com criança, é alugar um apartamento por temporada, onde se possa cozinhar, lavar e secar suas roupas. Minha filha com três anos na Disney entrava nos restaurantes e pedia arroz, feijão e purê de abóbora com bife de fígado! Tadinha recebia, no máximo, um macarrone cheese!"

Dentre os programas preferidos das duas em NY, Daniela destaca:


1 - Central Park, um piquenique, um passeio de charrete, um passeio de bicicleta, o parquinho com carrossel, o Central Park Zoo (torcer para o urso polar sair da toca!); 


2 - Mary Poppins, na Broadway, que a Maria Antonia viu quando tinha uns 6 anos e ficou maravilhada! Apesar de não entenderem o inglês, o show todo já vale a emoção. Rei Leão também é imperdível, ainda mais para crianças menores; 


3 – Magnolia Bakery para comer cupcakes! Eu amo o Velvet Cake, mas tem um novo de doce de leite divino! O Magnolia Bakery antigamente tinha só no Village, agora tem no Upper West Side; 


4 – Todas as lojas infantis, como Fao, American Girl, Build a Bear e várias outras nos mesmos formatos que surgem a cada estação e são uma ótima diversão para as crianças; 


5 – O Museu da Criança, o Planetário e o Museu de História Natural são uma ótima atração e você pode, através do site, agendar programações específicas, como por exemplo, caça a morcegos no Cetral Park com um grupo saindo do Museu de Historia Natural, ou uma noite no museu; 


6 – Tem também os parques para os mais velhos que são bem perto de NY (parque de águas e o Six Flags); 


7 – Comer cachorro quente em toda a esquina, mas não deixar de ir no Gray Papayas!

Alguma roubada?

- NY no verão é muito quente, então andar com uma roupa e, principalmente, sapatos confortáveis. "Se saírem de Havaianas, preparem-se para voltar com os pés negros e bem sujos! Então, eu acho que o ideal é um par de tênis confortável mesmo."


De brinde, a Dani ainda dividiu mais algumas recordações com a gente:

- "Mergulho em Belize e a Maria Antonia encantada nos corais... A ida a Disney quando ela tinha 3 anos e o olhar dela para cada princesa (outro dia escutei que não vale a pena levar criança a Disney porque eles esquecem e eu disse que se ela esqueceu, eu nunca esqueci cada olhar dela de encantamento!)...E cruzeiro que fiz pelo caribe..".

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Viajando de carro

Ok, a gente escreve muito sobre viagens internacionais, para outros estados... mas e aquela viagenzinha básica, para a serra ou para a praia, que fazemos de carro, como fica...! Meu apelido na família é Toniquinha - uma homenagem ao cidadão que morava na cidade do meu pai em Minas e que quando surgiu o carro no Brasil passava horas sentado na praça central para pegar uma carona. Não importava o lugar, Toniquinho Garcia entrava e seguia viagem. Eu sou assim. Se me chamar, eu vou. A boa notícia é que meu filho Luca é igual a mim, adora mudar de ares. Já a minha filha Diana é igual ao pai: nenhum lugar é melhor do que a própria casa. Portanto, viajar de carro com ela é um suplício, acho que sempre será. Mesmo assim, não vou ceder; quando dá, vai todo mundo para a estrada com a Toniquinha Garcia. E eu venho colecionando algumas dicas para tornar o sofrimento meu e da Diana um pouco mais suportável.

1) O DVD portátil garante alguns minutos de paz, pelo menos na saída da cidade;

2) Quando bebê, chupeta, mamadeira, paninho, tudo permitido e liberado;

3) Saquinho plástico para enjoos são obrigatórios, assim como fraldas e roupas extras à mão;

4) Lanchinhos. Para evitar as paradas, tanque de gasolina cheio e biscoitos na bolsa. Bala, também, tudo pela boa convivência;

5) Brinque de soletrando. Até hoje me lembro de quando meus pais me pediam para ler as placas na estrada;

6) Comece uma história e peça para seus filhos continuarem a contá-la;

7) Para cada meia hora sem perguntar "quanto tempo falta", um real para cada criança. O que são dois picolés perto do silêncio;

8) Se nada disso ajudar, feche os olhos, grite alto, desabafe, não sinta culpa - e espere o momento em que monstrinhas viram fadas, a correr pela praia, pelo gramado, a sorrir e a te dar beijos de comercial de Doriana.

Gramado e Canela, com Luca e Diana

Eu tinha ido a Gramado em julho de 2000, quando achava que precisava emagrecer. Imaginem só, parece brincadeira: pesava 57 quilos. O Kur foi certamente um dos hotéis mais lindos em que já fiquei. O spa é uma delícia, são 1000 calorias diárias de uma cozinha de altíssimo nível, recomendo muito, até para descansar a cabeça.

Dois filhos depois, alguns quilos a mais e uma dieta sempre em andamento, voltei a Gramado em 2008, antes de passar o Natal com a família do meu marido, em Passo Fundo. Que delícia, rever a cidade e a vizinha Canela com Lúcio e as crianças. Era como se a gente estivesse desembarcado na terra do Papai Noel. Tudo tem a cara dele nessa época. Faz muito calor durante o dia, mas à noite o clima é de serra, super agradável. Segue a minha lista de "top ten" que trouxe na bolsa, para quem um dia quiser ir até lá:

- As hortênsias, na beira da estrada, muito azuis;

- Comida caseira no fogão a lenha no Lá Em Casa, restaurante de Canela, atrás da Casa de Pedra, uma dica preciosa de um amigo gaúcho;

- Espaço temático e loja dos chocolates Caracol (http://www.oreinodochocolate.com.br/) - não deixem de tomar um chocolate com vista para as montanhas;

- Jantar no La Caceria, restaurante de carnes de caça do tradicional http://www.hotelcasadamontanha.com.br/ em Gramado - o risoto de coelho com fungui é inesquecível;

- Parque do Caracol, para ver a Cascata do Caracol no http://www.observatorioecologico.com.br/, fazer trilhas difíceis e leves - até a Diana encarou (!), longe do colo em 96% do trajeto;

- 45 minutos nas alturas no http://www.canelateleférico.com.br/ e uma aventura de tirolesa depois;

- Feito por Nós (Av Osvaldo Aranha 273), em Canela, para comprar lembrancinhas com cara de antigamente;

- Santa Composição, para ver uma moda com um pé em São Paulo, outro no Rio e um braço em Canela;

- Fantástica Fábrica de Natal, um dos muitos espetáculos do http://www.natalluzdegramado.com.br/, uma peça de padrão Broadway ao ar livre, perto do Lago Negro. Não é cafona, não é chato, é lindo mesmo;

- Um passeio pelo centro iluminado de Gramado e Canela, para ver as lojinhas e a doce decoração;

- Um galeto e uma sopa de capeletti do Mamma Mia, um rodízio bem servido e caseiríssimo.

De todas as aventuras, a tirolesa no parque do teleférico foi a que me deixou mais apreensiva. Olhar o Luca deslizando por mais de 150 metros, longe do chão, a uma velocidade muito alta, sei não. A Diana, depois que viu o tranco que o irmão levou, na chegada, para frear, começou a reclamar. Só ali ela se deu conta do perigo. E reclamou mais quando o pai desceu em seguida. Acho que, dos quatro nessa família, ela (que tinha acabado de fazer dois anos) foi a que demonstrou mais responsabilidade naquele momento. :-)

Comer Beber Amar. Depois das duas noites fantásticas entre Gramado e Canela, seguimos para Bento Gonçalves - uma das pontas do Vale dos Vinhedos, a 120 quilômetros de Porto Alegre. Passamos um dia dirigindo por lá, mas poderíamos ter ficado bem mais. O lugar é mágico.

Visitamos duas vinícolas bem diferentes: a pequena http://www.donlaurindo.com.br/ e a conhecida http://www.miolo.com.br/. Me pareceu a escolha perfeita porque apesar de a degustação da primeira ter sido inesquecível (uvas Tannat, Ancelotta, espumante Brut), a visita da segunda foi mais didática, mais interessante.

Descobrimos, por exemplo, que os parreirais da Miolo são verticais como os europeus porque as uvas precisam de muito sol o tempo todo e são específicas para vinhos, não para o consumo comum. Descobrimos que o vinho RAR foi encomendado por um gaúcho apaixonado, que queria celebrar os 50 anos de casamento com a mulher de sua vida com uma produção especial, feita a partir de uvas plantadas em suas terras. Que o 43 de 2005 só chegaria às lojas em 2010 e que era aguardadíssimo. Que o espumante Milesime recebeu 90 pontos em um ano em que empatou com a Veuve Cliquot, que tal?! Enfim, dava para passar o dia todo ali, conversando, aprendendo, sorrindo...

Mas, a gente tinha de seguir para Passo Fundo e de fato as vinículas não são lá muito interessantes para as crianças -mas eis a lista de possíveis hotéis/pousadas para quem quiser combinar programa de adulto com de criança (isso é permitido de vez em quando, hehe!) pesquisar:

- http://www.borghettosantanna.com.br/ (pertíssimo de Bento, apaixonante);

- ou http://www.spadovinho.com.br/ (em frente à Miolo);


A gente almoçou no Sbornea's, na entrada da Don Laurindo, ao lado do Michellon. Mas acho que a Tratoria Primo Camillo pode ser uma boa opção para quem quiser também fazer a rota dos espumantes em Garibaldi. Eu quero experimentar na próxima. E penso até em consultar a http://www.jushephturismo.com.br/, agência local com serviço de transfers, leva e trás a vinícolas etc. Quem se anima?

Luca e Diana em Gramado, Canela e Bento





De brinde

Eu sempre faço isso. Deixo para o fim a lista o que, para mim, ficou faltando fazer. No caso de Gramado e Canela, para que ninguém repita os meus erros, eu diria que ainda faltou...

 ...tomar um típico café colonial, ir ao Alpen Park - um imenso parque de diversões -, conhecer o Mini Mundo no centro de Gramado, ir a mais um espetáculo do Natal Luz, andar de pedalinho no Lago Negro, conhecer todas as lojas de chocolate...

Enfim, eu ficaria tranqüilamente três ou quatro noites por lá. Mas, no fundo, Luca e Diana estavam loucos para encontrar os primos em Passo Fundo-RS. E assim a gente vai ter de marcar outra visita!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Internet

Nunca, jamais, embarque em qualquer viagem sem antes consultar a internet. Imprima mapas, telefones, horários de funcionamento. Os sites oficiais são sempre os melhores guias.

Viagens internacionais, by Flávia G. Brasil

A Flávia é médica, casada com médico. Juntos, os dois levam na bagagem a filha Letícia de cinco anos e uma receita eficaz para qualquer viagem feliz: bom humor e disposição. As ótimas dicas abaixo são dela.

Identificação: ao invés do cartãozinho no bolso, fazemos crachás; as crianças adoram e se sentem importantes. Fica também mais fácil para um adulto que queira ajudar porque a gente ensina o que eles devem fazer (mostrar o cartão para uma adulto uniformizado etc...), mas quando se perdem, só choram.

Comida: só tivemos coragem de começar as viagens internacionais depois que nossa filha passou a comer hambúrguer e batata frita (porque Mc Donald’s tem até nos quintos dos infernos).

Avião: separo uma mochilinha pequena e digo que tudo o que minha filha quer levar deve caber ali; pode ser qualquer brinquedo, mas tem que ter bloquinho e canetinhas. Na minha mochila não falta I-Pod, incluindo umas 10 músicas que ela gosta de ouvir, copo de plástico com tampa, remédios, lenço de papel, álcool gel, band-aid, lenço umedecido, uma pomada de Calêndula que serve para qualquer coisa (assadura, ralado, coceira, enfim...) , uma boa almofada e (sempre) uma muda de roupa e um casaco.

Remédios: meu marido diz que eu posso fazer até uma cirurgia cardíaca dentro do avião por causa da quantidade de remédios que eu levo, mas tudo cabe dentro de um Zip Lock conforme as normas de segurança. Levo antitérmico, analgésico, remédio para dor de ouvido, colírio, antiespasmódico (para cólica/dor de barriga), antialérgico, supositório de glicerina, termômetro e, quando viajo para fora, também levo antibiótico. Ah! Esqueci das pomadas (para assadura e um creme com corticoide para reações alérgicas).

Carrinho : minha filha já é grande (tem quase 6 anos) e eu descobri que a melhor maneira de fazê-la andar sem reclamar ou pedir colo é viajar acompanhada de crianças de idades próximas. Temos viajado assim e as crianças dão muito menos trabalho (e todo mundo se diverte mais). Mas se este não é seu caso e a viagem é para lugares com aeroportos enormes, com voos chegando no meio da madrugada e passeios com muitas caminhadas, recomendo levar o carrinho já daqui do Brasil. Eles vão com você até a porta do avião e, em geral, se pega no mesmo lugar. Facilita bastante.

Tempo para as crianças brincarem no hotel: parece bobagem, mas as crianças gostam muito de ficar no quarto do hotel brincando com suas coisinhas novas; reservamos um tempo do dia para que elas façam isso. Passear de 8 às 20 horas é muito cansativo. Costumamos ou sair mais tarde ou voltar mais cedo, para elas poderem pular nas camas, tomar banho de banheira, colorir etc...

Flávia e Letícia, Paris 2010

Sempre Paris: abaixo o preconceito!

A Flávia conta que a primeira vez em Paris com a filha Letícia foi uma experiência surpreendente. Em todos os museus, a família teve prioridade na fila por causa das crianças (de 5 a 9 anos). No metrô cheio, teve sempre alguém que se levantou para que as crianças (pasmem!) pudessem sentar - e toda vez que ela pediu um prato para dividir ou qualquer substituição no cardápio por causa da crianças, o grupo foi atendido com extrema gentileza.

"Em qualquer passeio, usamos a tática de tornar o 'chato' em divertido. Funciona assim. Quando a gente entrava em um museu dizia: – Quem achar nesta sala um quadro com uma moça de vestido azul ganha um ponto, mas não vale correr, nem gritar”. No fim no dia, os pontos se transformavam em sorvetes ou chocolates e estava tudo certo.

P.S. das autoras do blog: De novo, o bom humor e a disposição. Certa vez, uma amiga do trabalho comentou que outra colega nossa vivia reclamando do mau humor do novaiorquino. "Mas, também, Fulana está sempre de cara amarrada, ninguém vai querer sorrir para ela!" Fato. Para que sejamos bem tratados, é preciso ser educado, gentil e estar aberto a novidades.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Avião: sorinho no nariz

"Desde que comecei a viajar com os meninos, isso com o Antonio com um mês de vida, criei um ritual: coloco soro fisiológico na decolagem e no pouso. Com as narinas desobstruídas e a chupeta na boca, o vôo se torna muito mais agradável. Essa dica veio do meu pediatra que conhece nosso estilo frenético de viagens. O ideal são os sorinhos individuais (tem da marca Mustela no Brasil), mas uma opção simples é esvaziar o pote do rinossoro e colocar o soro comum."

- Dica de Joana Timotheo, mãe de dois e viajante assídua.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Luca em Paris: novembro de 2008

Paris avec les enfants

Em novembro de 2008, nossa família tomou uma decisão muito difícil, da qual ninguém se arrependeu ainda: levar o Luca - então com seis anos - para Paris, deixando para trás a pequena Diana, de dois aninhos. Eu sei que um dia ela vai me torturar com essa informação, mas a verdade é que tínhamos uma chance única nas mãos: passar uma semana no apartamento de um casal amigo que tem um filho maravilhoso, na época com sete anos. Chegar com dois filhos e um carrinho de bebê nos parecia abuso demais e queríamos aproveitar cada segundo. Foi o que aconteceu.

(Ficar ou não ficar hospedado na casa de amigos é uma discussão que merece um capítulo à parte, mas, adianto que até hoje eu nunca me arrependi de hospedar ou de ser hóspede.)

Para conquistar os meninos logo de cara, no primeiro dia em Paris, levamos Luca e Pedro de RER para a Disney. O trajeto não leva nem uma hora, o trem é seguro e confortável. Nosso grupo só não teve sorte com a data. Seria feriado na terça-feira, ou seja, o parque naquele sábado estava lotado de franceses. O que não tirou o brilho de nossas atrações preferidas de Orlando com sotaque local: montanha-russa do Nemo, do Aerosmith, Space Mountain, o doce passeio do Peter Pan, Piratas do Caribe, Buzz Light Year, a Casa Mal Assombrada e assim por diante. Bateu culpa por Diana não estar junto, então, compramos roupinha da Minnie e um monte de brinquedinhos para ir entregando aos poucos para a Diana.

- Mamãe meu - ela repetia ao telefone - te amo, papai.

(Culpa, muita culpa.)

O domingo me lembrou os tempos de Nova York (onde moramos de 2004 a 2006). Depois da canseira da Disney e por causa do fuso horário, acordamos tarde para um longo brunch em casa. Os melhores queijos, as baquetes mais deliciosas, o papo ótimo de sempre. Mas Pedrinho estava ansioso para mostrar o Museu de História Natural para o Luca, com destaque para a Grande Galeria da Evolução. Os bichos empalhados revelam um cuidado imenso, a forma respeitosa com a qual o conhecimento é dividido com as crianças. Uma reprodução de Lucy, fóssil de três milhões de anos encontrado na Etiópia em 1974 - "a mãe de todos nós", dizia o Pedro - e o elefante que trabalhou em circo quando vivo foram palcos de verdadeiras aulas do nosso anfitrião.

- Eu sei, dizia o Luca, para tudo.
- Mas, Luca, por que voce diz que sabe tudo? Não sabe que aprender é tão bom quanto saber? - questionava Pedro, sabido demais para seus 7 anos.

O Museu, que também tem uma galeria enorme de esqueletos e fósseis de dinossauros e animais mais jovens (!), fica no Jardin des Plantes, ao lado da Mesquita de Paris. Em uma enorme alameda de folhas amareladas pelo outono, nossas crianças brasileirinhas aproveitaram um carrossel de bichos, que parecia de cinema.

No almocinho na Brasserie Les Ondes, perto de casa, o Luca provou os escargots pelos quais o Pedro era apaixonado. "Não gostei do alho, mamãe, é forte!" (Um ano mais tarde, em Nova York, numa segunda tentativa, Luca raspou o prato!)

Depois de um almoço gostoso, o Lúcio provou mais uma vez ser um bom pai e um bom marido. Levou as crianças para casa enquanto minha amiga e eu vimos duas belas exposições no Grand Palais: "Emile Nolde" e "Picasso et les maïtres". Viajar em família é exercer a generosidade, sabiam?!

É também traçar metas, diariamente. Numa segunda-feira fria, Lúcio, Luca e eu abrimos os trabalhos na Notre-Dame. Como já tínhamos lido o "Corcunda de Notre Dame", gastamos uns bons minutos imaginando se Quasimodo estaria lá, com os sinos que badalaram no momento em que chegamos ao lugar. (Pausa: Luisa e eu acreditamos sinceramente que é preciso envolver a criança desde muito antes da viagem, mostrar livros, guias na internet, atiçar a curiosidade de nossos pequenos.)

Voltando ao roteiro, tomamos café e sorvete Berthillon na apaixonante Ïle Saint Louis e gastamos alguns minutinhos namorando a Pylones (que existe em diversos outros lugares de Paris e NY) e a Arche de Noë - de brinquedos educativos e irresistiveis na rua principal. Passeamos pela Place Dauphine, na Ïle de la Cite, dica da carioca mais francesa do mundo, Isabela Caban. Andamos mais, andamos muito, deveríamos ter alugado as bicicletas disponíveis em todo canto de Paris.

Na Rue du Bac, depois de olhar de loooonge o d'Orsay e o Louvre (confesso que não quis encarar filas com o Luca), garanti medalhinhas da Nossa Senhora da Medalha Milagrosa para amigos e família e entrei em transe com o bom gosto do Bon Marché - a loja de departamentos - e da Grande Epicerie, no térreo - um mundo de temperos e coisinhas geniais para a cozinha. A gente gastou um bom tempo para escolher a nossa nova mania: a flor de sal de Guerande.

"A melhor e a mais rara forma de Sal, a Flor de Sal é a fina camada cristalizada na superfície das salinas em dias de vento, quentes e secos. Coletada a mão, seca ao sol e ao vento, a Flor tem um sabor incomparável. Guérande, na província francesa da Bretagne, é sua melhor origem."

Voilá! O Luca não entendeu tanta euforia, mas percebeu que o azeite nunca mais seria servido da mesma forma...! Ah, esses adultos, se empolgam com cada coisa!

A última parada do dia foi na Du Pareil au Meme (a Baby Gap francesa que vestiu o Luca depois de uma temporada de liqüidação em que ele ainda estava na barriga!). Ah, o Euro...

Depois de dias nublados, o sol de terça-feira combinava com a programação da hora. No Bois de Bologne (que, no feriado por causa dos 90 anos da I Guerra Mundial, parecia Central Park aos domingos), entramos no Jardin d'Acclimatation. Quem quer que viaje com crianças para Paris TEM de conhecer. Tem fazendinha, pracinhas de areia, pais com seus filhos de todas as idades, brinquedos da nossa infância, bate-bate, montanhas-russas, chapéu mexicano, muito espaço, muita beleza. O Luca amou. Disse que tanto quanto a Disney. Surtou ao escalar essa enorme "pirâmide de cordas".

Chegou exausto à brasserie da Printemps, a famosa loja de departamentos. O Phillipe Starck realçou a linda cúpula de vitrais no teto ao posicionar mesas espelhadas para os clientes. Luca conseguiu derrubar uma cadeira, o que nos matou de vergonha. Risos. Mas a comidinha estava ótima. E eu nunca vou me esquecer de que foi lá que provamos de sobremesa o famoso Mont Blanc da Angelina.

Estava na hora de bater perna na Champs Elysees. Luca e Pedro se encantaram com a La Grande Recree, uma lojona de brinquedos, com todas as marcas americanas e francesas: bolinhas de gude e material para maquetes são a nova mania da dupla.

No dia seguinte, depois de almoçar em casa um delicioso cassoulet da lata (uma espécie de feijoada de feijão branco, lingüiça e carne de pato, comprada em supermercado, semi-pronta), Lúcio, Luca, eu, Pedrinho e Graziela (prima do Pedro) seguimos na linha 7 do metrô do Palais Royal/Louvre até La Villette, um mundo de ciência na ponta de Paris.

Houve um contratempo aí. Eu não conferi direitinho os horários. Optei por assistirmos primeiro um filme em 3D (uma versão reduzida de "Mosconautas") e andar de simulador Cinaxe (sobre os mesmos "Mosconautas"). As crianças adoraram, nós adultos também - mas fiquei com pena de não conhecer as outras exposições, onde não dava pra entrar depois das 16h. Queria muito ver nossos visitantes-mirins com a mão na massa, nas experiências.

- Ah, Cris, o museu é público, os funcionários vão embora cedo - me explicou minha amiga, já acostumada ao ritmo francês de 35 horas de trabalho por semana.

Turista tem de ser esperta. Tem de olhar, anotar, pesquisar antes de viajar. Quem mandou não conferir?!

No dia seguinte, enquanto o Luca e o Lúcio decidiram subir a Torre Eiffel (no momento em que agricultores franceses faziam seu protesto com ovelhas no Campo de Marte), Sônia e eu batíamos perna no Marais. Ah, o Marais!

Ok, essa não é uma programação para filhos. Mas, se a mãe em questão conseguir uma tarde livre, segue um roteirinho delicioso que fiz com minha amiga.

Nosso ponto de partida foi o Hotel de Ville, seguindo pela calmíssima Place Sainte Gervais, pela Rue Pont Louis Philippe (papelarias chiques, galerias), pela Rue François Miron (o número 13 sustenta as paredes tortas de uma casa do século XV e a Sentou, loja de decoração com peças do Noguchi), continuando pelo imperdível Hotel des Sens (que já serviu de cenário para as excentricidades da Rainha Margot, que tem uma bola de canhão cravada no muro e hoje é uma biblioteca pública), a Village Saint Paul (um conjunto de prediozinhos com antiquários) e um café para descansar no solzinho de 12oC na Place des Vosges. O que mais poderíamos querer? Rue Franc des Bourgeois! Uma ao lado da outra, MAC, Khiels, Camper, Chaise Longue, Estephan - eu poderia passar o dia por lá. Mas precisávamos (!) almoçar no KONG! No topo da loja do Kenzo, a linda vista que a Rue Pont Neuf pode oferecer, uma comida razoável e a decoração fresca de Philippe Starck. De volta ao Marais, caminhei mais um pouco pela Rue des Rosiers (comprei chá verde com flores da Provence na Marriage Freres), pela Blanc Manteaux (valeu, Bela, pela dica da Les Touristes, com suas batas indianas, seus cheirinhos e paninhos parisienses) e retornei para o Hotel de Ville.

Era hora de pegar o ônibus, voltar pra casa, trocar de roupa e jantar com os amigos na tradicional Veaudeville, brasserie freqüentada por parisienses, em frente à antiga Bolsa. Porções pequenas e deliciosas. Sopinha de cebola, rodelinhas de cordeiro, hum...!

O despedida em Paris foi longa, com uma caminhada pela manhã no Quartier Latin, com destaque para a Rue Saint Andre des Arts. Visitamos lojinhas, saboreamos crepes de Nutella, passamos por barracas de frutas, verduras, crustáceos - e entramos na Eva Baz'Art (uma espécie de Pylones, mais voltada para a cozinha). O Luca acompanhou bem o passeio pela Rue de Buci, pela Rue Bonaparte (onde suspiramos pelos macaroons coloridos da Pierre Hermés, pela doçura da marca Berenice e pela chiquérrima Max Mara), pela Rue de Four (onde comprei uma sapatilha Repetto para a Diana, reparem na culpa novamente) e seguiu firme até o Le Procope, restaurante de 1686, conhecido pelo Coc Au Vin. "Parece um museu", reparou o Baby depois de conhecer o segundo andar, lindíssimo.

A gente pensou muito se deveria levar a Diana para Paris. O objetivo era visitar nosso casal de amigos e o filho, Pedro. Lúcio e eu decidimos, desta vez, privilegiar o Luca. Ele certamente curtiria mais a viagem, teria mais pique, entenderia a questão da distância e aproveitaria a rotina ao lado do Pedrinho.

Por isso, Diana e babá seguiram para o Rio Grande do Sul, onde nossa pequena foi mimada até onde pôde pela madrinha, ganhou beijos, aproveitou colos de avós, aprendeu todos os nomes da enorme família do Lúcio, correu, brincou, visitou a prima Manu (parceira da aventura em Fernando de Noronha), comeu pão preto com geléia de manhã... Uma infância assim, a gente não esquece. Nada substitui tanto amor. Nem mesmo uma volta pelo rio Sena.

Vive la France com João e Vitória

Moramos em Paris um ano antes do João nascer. Por isso, quando estivemos com ele pela primeira vez na cidade, em janeiro de 2008, nossa idéia era, antes de mais nada, fazer uma viagem afetiva por lugares cheios de significados para nós (por isso, a foto abaixo, em frente ao edifício da Rue des Ecoles, nossa casa em Paris).

No entanto, a programação infantil de Paris já era uma velha conhecida nossa, graças a Vitória, minha enteada, que tinha sete anos na época da nossa temporada na França.

Com ela, costumávamos frequentar muitos parques dentro e fora da cidade. O Jardin du Luxembourg, por exemplo, o maior parque público da cidade, com seus lagos e estátuas exuberantes era tiro certo para a garotinha extravassar as energias, principalmente no inverno, vivendo em um apartamento de pouco mais de 30 metros quadrados. O lugar, que tem entrada gratuita, abriga a sede do Senado da França, um pavilhão de exposições e um parquinho aprovadíssimo pela Vitória e, anos mais tarde, pelo João. Este sim, é pago, mas tem excelente custo benefício.

Versalhes com seus jardins geométricos e salões suntuosos é uma ótima pedida, especialmente com as meninas, para brincar de princesas. Perto de Paris de carro ou trem, o palácio transformado por Luís XIV no centro de poder político da França tem mil e uma atrações encantadoras. O quarto em que as rainhas davam à luz seus filhos em frente de toda a corte e o inesquecível Salão dos Espelhos, palco das cerimônias importantes onde o Tratado de Versalhes foi ratificado são os destaques da área interna. Na parte de fora, uma delícia perambular a pé ou de charrete pelos jardins e ver de perto o Petit Trianon, o castelo preferido de Maria Antonieta.

Nos finais de semana, pé na estrada. Com carro alugado, Euro Disney, claro, sucesso total de crítica. Décio, "paidecendo", deve ter ido umas dezessete vezes. Mas quando outros cenários entraram no roteiro, aí sim, o paraíso.

Fomos especialmente felizes em duas oportunidades: na primeira, uma visita a Giverny, vila de quinhentos habitantes, a pouco menos de noventa quilômetros de Paris. A casa onde Claude Monet trabalhou até o fim da vida continua ali, decorada com as cores originais, aberta ao público. E mais: os jardins que serviram de tema para alguns dos mais famosos estudos do pintor, com suas pontes de madeira sobre o lago e sobretudo as ninféias são um quadro vivo, diante dos nossos olhos. Beleza para todas as idades.

A segunda viagem é mais distante, requer planejamento e talvez pernoites pelo caminho. Mas como vale. A silhueta do Mont Saint Michel é uma das visões mais encantadoras de toda a Europa. O lugar já foi oratório, mosteiro beneditino durante a Idade Média e prisão após a Revolução. As marés na baía que cerca o Mont Saint Michel são muito fortes e a ilha é unida ao continente por uma passarela. As ovelhinhas em volta ainda ajudam a compor o cenário de filme. Mergulhe nas muitas histórias deste cartão postal cheio de mistérios, meio mágico mesmo. Viaje no tempo com o seu filho, ele vai gostar.

Com o João, investimos mesmo em Paris, o que definitivamente não é pouco. Estes passeios ficaram para uma próxima. Afinal, a capital francesa tem muito a oferecer, para qualquer idade.

Um programa bem turístico que recomendamos com crianças é o passeio pelo rio Sena naqueles barcos estilo Bateau Mouche. Ótimo para mostrar a cidade sob outro angulo a qualquer hora do dia ou da noite. Fizemos com o Joca no por do sol e a visão é espetacular.

Lembro também que chegamos a cidade em um 6 de janeiro, Dia de Reis. Por sorte, pegamos o horário da missa em Notre Dame. Mais um daqueles momentos inesquecíveis. Se a agenda coincidir, com esta ou outra data importante, não deixe de entrar um pouquinho na catedral. Faz qualquer pestinha paralizar, meio estarrecida.

Ao contrário da Cris, visitamos Paris no inverno gelado. Então os programas indoor eram sempre muito bem-vindos.

Surpreendentemente não encaramos filas enormes e conseguimos mostrar a Monalisa ao João no Louvre (foco, muito foco no objetivo neste museu gigantesco). E a parte do Egito, que ele pirou. Também quis ir ao Orsay, para falar um pouco sobre os impressionistas. Na época ele não deu muita bola, confesso. Mas Van Gogh, Monet, Renoir, Degas... reunidos em um só lugar. Porque não expor seu filho desde muito cedo ao belo, ao que te emociona? Se faz bem à sua alma, vai fazer bem a dele também.

Programa ao ar livre divertido foi a Roda-Gigante. Quando fomos, ela ainda estava montada na Place de la Concorde. Parece que agora está nas Tuilleries. O ingresso custa 6 euros e dá direito a várias voltas. Lá do alto é possível ver os pontos turísticos mais famosos da cidade. Quase congelamos, mas João adorou.

Agora, uma das melhores descobertas da temporada com o João foi o Cirque d'Hiver, um espaço de sonhos para pais e filhos. O belíssimo edifício oval fundado em 1852 pelo Imperador Napoleão III  apresenta um espetáculo bem "à moda antiga". Enquanto no picadeiro desfilam trapezistas, mágicos e malabaristas... Na platéia lembrando um pequeno coliseu, as crianças perdem o fôlego, gargalham, aplaudem... Ah, sim, mães e pais se arrepiam, ficam com olhos cheios d'água. E quando a Mulher-Bala entra em cena ninguém pisca. Programa imperdível e lindo de morrer.

João em Paris - Janeiro de 2008

Na roda-gigante
Carrousel Hotel de Ville

Parquinho - Jardin du Luxembourg

Passeio de barco noturno pelo Rio Sena

Conhecendo a Monalisa


La Villette

Em frente ao prédio onde moramos

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Escala zero

"Na hora de escolher o voo, opte pelo voo direto, sem escala ou conexão, mesmo que isso custe um pouco mais. Vale cada centavo não se aborrecer na porta de avião, esperando carrinho, entregando carrinho..."

- Dica de Ana Paula Brasil, mãe de Vicente, de um ano e meio.

Berlim & Munique, por Verônica Peixoto

Verônica Peixoto é fotógrafa e foi recentemente para a Alemanha com o marido e os dois filhos, Gabriel e Theo, de 10 e 8 anos. Os meninos estudam numa escola alemã no Rio e num primeiro momento a ideia de viajar para Berlim e Munique surgiu para praticar a língua e para sentir a cultura. A família adorou e Verônica nos conta por que em um resumo dos melhores momentos da viagem.

Passeio obrigatório com as crianças em Berlim é pairar de balão sobre a cidade. São 15 minutos, preço justo, olhos arregalados. http://www.air-service-berlin.de/index.php5?page=11-0-0-0-1-2-2&lang=2. Na área cultural, existe a Ilha dos Museus, um patrimônio da humanidade, com cinco prédios que reunem de achados arqueológicos a arte europeia. (Leia mais: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1266131,00.html). Em frente, de brinde, tem um parque ótimo, com a réplica de um castelo medieval. "Aliás, o que mais existe em Berlim são parquinhos inteligentes com labirintos, brinquedos artesanais, feitos de pneus, em todos os bairros." E ainda: o zoológico é imperdível, assim como o aquário: http://www.zoo-berlin.de/. E, claro, as bicicletas... a família inteira curte a aventura, que normalmente começa Portão de Brandenburgo.

Em Munique, a grande atração para os meninos fanáticos por futebol é o estádio do Bayern - onde é possível visitar o campo, os vestiários, comprar lembrancinhas. Outra parada imperdível é o Deutsches Museum (http://www.deutsches-museum.de/), considerado por muita gente o melhor museu de ciência e tecnologia do mundo. Theo e Gabriel curtiram uma tarde inteira por lá.

Os castelos nos arredores de Munique ficaram para uma próxima oportunidade. E, de curiosa que sou, ainda pesquisei outros passeios, como o Englischer Garten - um parque imenso que se espalha do centro de Munique (perto da Odeonsplatz) até o Norte da cidade, com gramados, colinas, lagos, diversão garantida para a criançada e para os pais. E o Hellabrunn, zoológico de 23 hectares, 5000 animais, atividades interativas, passeios de camelo, ponte que balança. Parece que vale a visita: http://www.tierpark-hellabrunn.de/index.php?id=7&L=1.