quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Avião: sorinho no nariz

"Desde que comecei a viajar com os meninos, isso com o Antonio com um mês de vida, criei um ritual: coloco soro fisiológico na decolagem e no pouso. Com as narinas desobstruídas e a chupeta na boca, o vôo se torna muito mais agradável. Essa dica veio do meu pediatra que conhece nosso estilo frenético de viagens. O ideal são os sorinhos individuais (tem da marca Mustela no Brasil), mas uma opção simples é esvaziar o pote do rinossoro e colocar o soro comum."

- Dica de Joana Timotheo, mãe de dois e viajante assídua.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Luca em Paris: novembro de 2008

Paris avec les enfants

Em novembro de 2008, nossa família tomou uma decisão muito difícil, da qual ninguém se arrependeu ainda: levar o Luca - então com seis anos - para Paris, deixando para trás a pequena Diana, de dois aninhos. Eu sei que um dia ela vai me torturar com essa informação, mas a verdade é que tínhamos uma chance única nas mãos: passar uma semana no apartamento de um casal amigo que tem um filho maravilhoso, na época com sete anos. Chegar com dois filhos e um carrinho de bebê nos parecia abuso demais e queríamos aproveitar cada segundo. Foi o que aconteceu.

(Ficar ou não ficar hospedado na casa de amigos é uma discussão que merece um capítulo à parte, mas, adianto que até hoje eu nunca me arrependi de hospedar ou de ser hóspede.)

Para conquistar os meninos logo de cara, no primeiro dia em Paris, levamos Luca e Pedro de RER para a Disney. O trajeto não leva nem uma hora, o trem é seguro e confortável. Nosso grupo só não teve sorte com a data. Seria feriado na terça-feira, ou seja, o parque naquele sábado estava lotado de franceses. O que não tirou o brilho de nossas atrações preferidas de Orlando com sotaque local: montanha-russa do Nemo, do Aerosmith, Space Mountain, o doce passeio do Peter Pan, Piratas do Caribe, Buzz Light Year, a Casa Mal Assombrada e assim por diante. Bateu culpa por Diana não estar junto, então, compramos roupinha da Minnie e um monte de brinquedinhos para ir entregando aos poucos para a Diana.

- Mamãe meu - ela repetia ao telefone - te amo, papai.

(Culpa, muita culpa.)

O domingo me lembrou os tempos de Nova York (onde moramos de 2004 a 2006). Depois da canseira da Disney e por causa do fuso horário, acordamos tarde para um longo brunch em casa. Os melhores queijos, as baquetes mais deliciosas, o papo ótimo de sempre. Mas Pedrinho estava ansioso para mostrar o Museu de História Natural para o Luca, com destaque para a Grande Galeria da Evolução. Os bichos empalhados revelam um cuidado imenso, a forma respeitosa com a qual o conhecimento é dividido com as crianças. Uma reprodução de Lucy, fóssil de três milhões de anos encontrado na Etiópia em 1974 - "a mãe de todos nós", dizia o Pedro - e o elefante que trabalhou em circo quando vivo foram palcos de verdadeiras aulas do nosso anfitrião.

- Eu sei, dizia o Luca, para tudo.
- Mas, Luca, por que voce diz que sabe tudo? Não sabe que aprender é tão bom quanto saber? - questionava Pedro, sabido demais para seus 7 anos.

O Museu, que também tem uma galeria enorme de esqueletos e fósseis de dinossauros e animais mais jovens (!), fica no Jardin des Plantes, ao lado da Mesquita de Paris. Em uma enorme alameda de folhas amareladas pelo outono, nossas crianças brasileirinhas aproveitaram um carrossel de bichos, que parecia de cinema.

No almocinho na Brasserie Les Ondes, perto de casa, o Luca provou os escargots pelos quais o Pedro era apaixonado. "Não gostei do alho, mamãe, é forte!" (Um ano mais tarde, em Nova York, numa segunda tentativa, Luca raspou o prato!)

Depois de um almoço gostoso, o Lúcio provou mais uma vez ser um bom pai e um bom marido. Levou as crianças para casa enquanto minha amiga e eu vimos duas belas exposições no Grand Palais: "Emile Nolde" e "Picasso et les maïtres". Viajar em família é exercer a generosidade, sabiam?!

É também traçar metas, diariamente. Numa segunda-feira fria, Lúcio, Luca e eu abrimos os trabalhos na Notre-Dame. Como já tínhamos lido o "Corcunda de Notre Dame", gastamos uns bons minutos imaginando se Quasimodo estaria lá, com os sinos que badalaram no momento em que chegamos ao lugar. (Pausa: Luisa e eu acreditamos sinceramente que é preciso envolver a criança desde muito antes da viagem, mostrar livros, guias na internet, atiçar a curiosidade de nossos pequenos.)

Voltando ao roteiro, tomamos café e sorvete Berthillon na apaixonante Ïle Saint Louis e gastamos alguns minutinhos namorando a Pylones (que existe em diversos outros lugares de Paris e NY) e a Arche de Noë - de brinquedos educativos e irresistiveis na rua principal. Passeamos pela Place Dauphine, na Ïle de la Cite, dica da carioca mais francesa do mundo, Isabela Caban. Andamos mais, andamos muito, deveríamos ter alugado as bicicletas disponíveis em todo canto de Paris.

Na Rue du Bac, depois de olhar de loooonge o d'Orsay e o Louvre (confesso que não quis encarar filas com o Luca), garanti medalhinhas da Nossa Senhora da Medalha Milagrosa para amigos e família e entrei em transe com o bom gosto do Bon Marché - a loja de departamentos - e da Grande Epicerie, no térreo - um mundo de temperos e coisinhas geniais para a cozinha. A gente gastou um bom tempo para escolher a nossa nova mania: a flor de sal de Guerande.

"A melhor e a mais rara forma de Sal, a Flor de Sal é a fina camada cristalizada na superfície das salinas em dias de vento, quentes e secos. Coletada a mão, seca ao sol e ao vento, a Flor tem um sabor incomparável. Guérande, na província francesa da Bretagne, é sua melhor origem."

Voilá! O Luca não entendeu tanta euforia, mas percebeu que o azeite nunca mais seria servido da mesma forma...! Ah, esses adultos, se empolgam com cada coisa!

A última parada do dia foi na Du Pareil au Meme (a Baby Gap francesa que vestiu o Luca depois de uma temporada de liqüidação em que ele ainda estava na barriga!). Ah, o Euro...

Depois de dias nublados, o sol de terça-feira combinava com a programação da hora. No Bois de Bologne (que, no feriado por causa dos 90 anos da I Guerra Mundial, parecia Central Park aos domingos), entramos no Jardin d'Acclimatation. Quem quer que viaje com crianças para Paris TEM de conhecer. Tem fazendinha, pracinhas de areia, pais com seus filhos de todas as idades, brinquedos da nossa infância, bate-bate, montanhas-russas, chapéu mexicano, muito espaço, muita beleza. O Luca amou. Disse que tanto quanto a Disney. Surtou ao escalar essa enorme "pirâmide de cordas".

Chegou exausto à brasserie da Printemps, a famosa loja de departamentos. O Phillipe Starck realçou a linda cúpula de vitrais no teto ao posicionar mesas espelhadas para os clientes. Luca conseguiu derrubar uma cadeira, o que nos matou de vergonha. Risos. Mas a comidinha estava ótima. E eu nunca vou me esquecer de que foi lá que provamos de sobremesa o famoso Mont Blanc da Angelina.

Estava na hora de bater perna na Champs Elysees. Luca e Pedro se encantaram com a La Grande Recree, uma lojona de brinquedos, com todas as marcas americanas e francesas: bolinhas de gude e material para maquetes são a nova mania da dupla.

No dia seguinte, depois de almoçar em casa um delicioso cassoulet da lata (uma espécie de feijoada de feijão branco, lingüiça e carne de pato, comprada em supermercado, semi-pronta), Lúcio, Luca, eu, Pedrinho e Graziela (prima do Pedro) seguimos na linha 7 do metrô do Palais Royal/Louvre até La Villette, um mundo de ciência na ponta de Paris.

Houve um contratempo aí. Eu não conferi direitinho os horários. Optei por assistirmos primeiro um filme em 3D (uma versão reduzida de "Mosconautas") e andar de simulador Cinaxe (sobre os mesmos "Mosconautas"). As crianças adoraram, nós adultos também - mas fiquei com pena de não conhecer as outras exposições, onde não dava pra entrar depois das 16h. Queria muito ver nossos visitantes-mirins com a mão na massa, nas experiências.

- Ah, Cris, o museu é público, os funcionários vão embora cedo - me explicou minha amiga, já acostumada ao ritmo francês de 35 horas de trabalho por semana.

Turista tem de ser esperta. Tem de olhar, anotar, pesquisar antes de viajar. Quem mandou não conferir?!

No dia seguinte, enquanto o Luca e o Lúcio decidiram subir a Torre Eiffel (no momento em que agricultores franceses faziam seu protesto com ovelhas no Campo de Marte), Sônia e eu batíamos perna no Marais. Ah, o Marais!

Ok, essa não é uma programação para filhos. Mas, se a mãe em questão conseguir uma tarde livre, segue um roteirinho delicioso que fiz com minha amiga.

Nosso ponto de partida foi o Hotel de Ville, seguindo pela calmíssima Place Sainte Gervais, pela Rue Pont Louis Philippe (papelarias chiques, galerias), pela Rue François Miron (o número 13 sustenta as paredes tortas de uma casa do século XV e a Sentou, loja de decoração com peças do Noguchi), continuando pelo imperdível Hotel des Sens (que já serviu de cenário para as excentricidades da Rainha Margot, que tem uma bola de canhão cravada no muro e hoje é uma biblioteca pública), a Village Saint Paul (um conjunto de prediozinhos com antiquários) e um café para descansar no solzinho de 12oC na Place des Vosges. O que mais poderíamos querer? Rue Franc des Bourgeois! Uma ao lado da outra, MAC, Khiels, Camper, Chaise Longue, Estephan - eu poderia passar o dia por lá. Mas precisávamos (!) almoçar no KONG! No topo da loja do Kenzo, a linda vista que a Rue Pont Neuf pode oferecer, uma comida razoável e a decoração fresca de Philippe Starck. De volta ao Marais, caminhei mais um pouco pela Rue des Rosiers (comprei chá verde com flores da Provence na Marriage Freres), pela Blanc Manteaux (valeu, Bela, pela dica da Les Touristes, com suas batas indianas, seus cheirinhos e paninhos parisienses) e retornei para o Hotel de Ville.

Era hora de pegar o ônibus, voltar pra casa, trocar de roupa e jantar com os amigos na tradicional Veaudeville, brasserie freqüentada por parisienses, em frente à antiga Bolsa. Porções pequenas e deliciosas. Sopinha de cebola, rodelinhas de cordeiro, hum...!

O despedida em Paris foi longa, com uma caminhada pela manhã no Quartier Latin, com destaque para a Rue Saint Andre des Arts. Visitamos lojinhas, saboreamos crepes de Nutella, passamos por barracas de frutas, verduras, crustáceos - e entramos na Eva Baz'Art (uma espécie de Pylones, mais voltada para a cozinha). O Luca acompanhou bem o passeio pela Rue de Buci, pela Rue Bonaparte (onde suspiramos pelos macaroons coloridos da Pierre Hermés, pela doçura da marca Berenice e pela chiquérrima Max Mara), pela Rue de Four (onde comprei uma sapatilha Repetto para a Diana, reparem na culpa novamente) e seguiu firme até o Le Procope, restaurante de 1686, conhecido pelo Coc Au Vin. "Parece um museu", reparou o Baby depois de conhecer o segundo andar, lindíssimo.

A gente pensou muito se deveria levar a Diana para Paris. O objetivo era visitar nosso casal de amigos e o filho, Pedro. Lúcio e eu decidimos, desta vez, privilegiar o Luca. Ele certamente curtiria mais a viagem, teria mais pique, entenderia a questão da distância e aproveitaria a rotina ao lado do Pedrinho.

Por isso, Diana e babá seguiram para o Rio Grande do Sul, onde nossa pequena foi mimada até onde pôde pela madrinha, ganhou beijos, aproveitou colos de avós, aprendeu todos os nomes da enorme família do Lúcio, correu, brincou, visitou a prima Manu (parceira da aventura em Fernando de Noronha), comeu pão preto com geléia de manhã... Uma infância assim, a gente não esquece. Nada substitui tanto amor. Nem mesmo uma volta pelo rio Sena.

Vive la France com João e Vitória

Moramos em Paris um ano antes do João nascer. Por isso, quando estivemos com ele pela primeira vez na cidade, em janeiro de 2008, nossa idéia era, antes de mais nada, fazer uma viagem afetiva por lugares cheios de significados para nós (por isso, a foto abaixo, em frente ao edifício da Rue des Ecoles, nossa casa em Paris).

No entanto, a programação infantil de Paris já era uma velha conhecida nossa, graças a Vitória, minha enteada, que tinha sete anos na época da nossa temporada na França.

Com ela, costumávamos frequentar muitos parques dentro e fora da cidade. O Jardin du Luxembourg, por exemplo, o maior parque público da cidade, com seus lagos e estátuas exuberantes era tiro certo para a garotinha extravassar as energias, principalmente no inverno, vivendo em um apartamento de pouco mais de 30 metros quadrados. O lugar, que tem entrada gratuita, abriga a sede do Senado da França, um pavilhão de exposições e um parquinho aprovadíssimo pela Vitória e, anos mais tarde, pelo João. Este sim, é pago, mas tem excelente custo benefício.

Versalhes com seus jardins geométricos e salões suntuosos é uma ótima pedida, especialmente com as meninas, para brincar de princesas. Perto de Paris de carro ou trem, o palácio transformado por Luís XIV no centro de poder político da França tem mil e uma atrações encantadoras. O quarto em que as rainhas davam à luz seus filhos em frente de toda a corte e o inesquecível Salão dos Espelhos, palco das cerimônias importantes onde o Tratado de Versalhes foi ratificado são os destaques da área interna. Na parte de fora, uma delícia perambular a pé ou de charrete pelos jardins e ver de perto o Petit Trianon, o castelo preferido de Maria Antonieta.

Nos finais de semana, pé na estrada. Com carro alugado, Euro Disney, claro, sucesso total de crítica. Décio, "paidecendo", deve ter ido umas dezessete vezes. Mas quando outros cenários entraram no roteiro, aí sim, o paraíso.

Fomos especialmente felizes em duas oportunidades: na primeira, uma visita a Giverny, vila de quinhentos habitantes, a pouco menos de noventa quilômetros de Paris. A casa onde Claude Monet trabalhou até o fim da vida continua ali, decorada com as cores originais, aberta ao público. E mais: os jardins que serviram de tema para alguns dos mais famosos estudos do pintor, com suas pontes de madeira sobre o lago e sobretudo as ninféias são um quadro vivo, diante dos nossos olhos. Beleza para todas as idades.

A segunda viagem é mais distante, requer planejamento e talvez pernoites pelo caminho. Mas como vale. A silhueta do Mont Saint Michel é uma das visões mais encantadoras de toda a Europa. O lugar já foi oratório, mosteiro beneditino durante a Idade Média e prisão após a Revolução. As marés na baía que cerca o Mont Saint Michel são muito fortes e a ilha é unida ao continente por uma passarela. As ovelhinhas em volta ainda ajudam a compor o cenário de filme. Mergulhe nas muitas histórias deste cartão postal cheio de mistérios, meio mágico mesmo. Viaje no tempo com o seu filho, ele vai gostar.

Com o João, investimos mesmo em Paris, o que definitivamente não é pouco. Estes passeios ficaram para uma próxima. Afinal, a capital francesa tem muito a oferecer, para qualquer idade.

Um programa bem turístico que recomendamos com crianças é o passeio pelo rio Sena naqueles barcos estilo Bateau Mouche. Ótimo para mostrar a cidade sob outro angulo a qualquer hora do dia ou da noite. Fizemos com o Joca no por do sol e a visão é espetacular.

Lembro também que chegamos a cidade em um 6 de janeiro, Dia de Reis. Por sorte, pegamos o horário da missa em Notre Dame. Mais um daqueles momentos inesquecíveis. Se a agenda coincidir, com esta ou outra data importante, não deixe de entrar um pouquinho na catedral. Faz qualquer pestinha paralizar, meio estarrecida.

Ao contrário da Cris, visitamos Paris no inverno gelado. Então os programas indoor eram sempre muito bem-vindos.

Surpreendentemente não encaramos filas enormes e conseguimos mostrar a Monalisa ao João no Louvre (foco, muito foco no objetivo neste museu gigantesco). E a parte do Egito, que ele pirou. Também quis ir ao Orsay, para falar um pouco sobre os impressionistas. Na época ele não deu muita bola, confesso. Mas Van Gogh, Monet, Renoir, Degas... reunidos em um só lugar. Porque não expor seu filho desde muito cedo ao belo, ao que te emociona? Se faz bem à sua alma, vai fazer bem a dele também.

Programa ao ar livre divertido foi a Roda-Gigante. Quando fomos, ela ainda estava montada na Place de la Concorde. Parece que agora está nas Tuilleries. O ingresso custa 6 euros e dá direito a várias voltas. Lá do alto é possível ver os pontos turísticos mais famosos da cidade. Quase congelamos, mas João adorou.

Agora, uma das melhores descobertas da temporada com o João foi o Cirque d'Hiver, um espaço de sonhos para pais e filhos. O belíssimo edifício oval fundado em 1852 pelo Imperador Napoleão III  apresenta um espetáculo bem "à moda antiga". Enquanto no picadeiro desfilam trapezistas, mágicos e malabaristas... Na platéia lembrando um pequeno coliseu, as crianças perdem o fôlego, gargalham, aplaudem... Ah, sim, mães e pais se arrepiam, ficam com olhos cheios d'água. E quando a Mulher-Bala entra em cena ninguém pisca. Programa imperdível e lindo de morrer.

João em Paris - Janeiro de 2008

Na roda-gigante
Carrousel Hotel de Ville

Parquinho - Jardin du Luxembourg

Passeio de barco noturno pelo Rio Sena

Conhecendo a Monalisa


La Villette

Em frente ao prédio onde moramos

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Escala zero

"Na hora de escolher o voo, opte pelo voo direto, sem escala ou conexão, mesmo que isso custe um pouco mais. Vale cada centavo não se aborrecer na porta de avião, esperando carrinho, entregando carrinho..."

- Dica de Ana Paula Brasil, mãe de Vicente, de um ano e meio.

Berlim & Munique, por Verônica Peixoto

Verônica Peixoto é fotógrafa e foi recentemente para a Alemanha com o marido e os dois filhos, Gabriel e Theo, de 10 e 8 anos. Os meninos estudam numa escola alemã no Rio e num primeiro momento a ideia de viajar para Berlim e Munique surgiu para praticar a língua e para sentir a cultura. A família adorou e Verônica nos conta por que em um resumo dos melhores momentos da viagem.

Passeio obrigatório com as crianças em Berlim é pairar de balão sobre a cidade. São 15 minutos, preço justo, olhos arregalados. http://www.air-service-berlin.de/index.php5?page=11-0-0-0-1-2-2&lang=2. Na área cultural, existe a Ilha dos Museus, um patrimônio da humanidade, com cinco prédios que reunem de achados arqueológicos a arte europeia. (Leia mais: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1266131,00.html). Em frente, de brinde, tem um parque ótimo, com a réplica de um castelo medieval. "Aliás, o que mais existe em Berlim são parquinhos inteligentes com labirintos, brinquedos artesanais, feitos de pneus, em todos os bairros." E ainda: o zoológico é imperdível, assim como o aquário: http://www.zoo-berlin.de/. E, claro, as bicicletas... a família inteira curte a aventura, que normalmente começa Portão de Brandenburgo.

Em Munique, a grande atração para os meninos fanáticos por futebol é o estádio do Bayern - onde é possível visitar o campo, os vestiários, comprar lembrancinhas. Outra parada imperdível é o Deutsches Museum (http://www.deutsches-museum.de/), considerado por muita gente o melhor museu de ciência e tecnologia do mundo. Theo e Gabriel curtiram uma tarde inteira por lá.

Os castelos nos arredores de Munique ficaram para uma próxima oportunidade. E, de curiosa que sou, ainda pesquisei outros passeios, como o Englischer Garten - um parque imenso que se espalha do centro de Munique (perto da Odeonsplatz) até o Norte da cidade, com gramados, colinas, lagos, diversão garantida para a criançada e para os pais. E o Hellabrunn, zoológico de 23 hectares, 5000 animais, atividades interativas, passeios de camelo, ponte que balança. Parece que vale a visita: http://www.tierpark-hellabrunn.de/index.php?id=7&L=1.

Theo e Gabriel, Alemanha, julho de 2010

Tea Garten, Berlim
Ilha dos Museus, Berlim
Aquário Munique

Aloha!

Sabe aquelas cenas do seriado de tv Ilha da Fantasia? Aquela musiquinha, com as havaianas dançando hula-hula em um ambiente meio faz-de-conta? Ou mesmo o paraíso que imaginamos em sonhos? O Havaí é exatamente daquele jeito. Lugar de gente feliz. 

Demorei nove anos para visitar meu irmão que um belo dia decidiu se mudar para aquele ponto perdido no meio do Pacífico. Não entendia porque ele tinha escolhido morar justamente em Maui, uma das cinco ilhas habitáveis do arquipélago que formam o Havaí. Assim que cheguei, tudo ficou claro e transparente como o mar que banha as inúmeras praias paradisíacas dali. Existe realmente algo de mágico naquele canto isolado do planeta cercado de paz por todos os lados.

Decidimos encarar a distância de quatro mil quilometros do continente mais próximo e o fuso que varia entre seis e oito horas de diferença em relação ao Brasil, quando o João quase três anos e de idade. A idéia era passar duas semanas conhecendo todos os cantos de Maui, talvez a mais diversificada e turística das ilhas. Deixaríamos a cosmopolita Oahu, e as outras três - Big Island, Kauai(que dizem ter a Napali Cost de tirar o fôlego) e Molokai para uma próxima oportunidade.

O caminho escolhido foi pela California, com escala e troca de avião em Atlanta. Como achamos que poderia ficar puxado, principalmente para o João, optamos por um pit stop de três em dias em San Diego, para descansar e ajudar na adaptação. 


Maui é a segunda maior ilha do Havaí, uma das mais turísticas e diversificadas. Além de uma beleza estonteante, reúne uma ótima infra estrutura para agradar a todo tipo de público. 


O aeroporto fica em Kahului, a principal cidade e onde ficam os shoppings mais populares, assim como o maior porto da ilha. Assim que o avião aterrissa, o visitante recebe um colar de flores havaianas, no melhor estilo Ilha da Fantasia. E a diversão começa. Vamos as dicas:


- Com uma área de quase dois mil quilometros quadrados, fica praticamente impossível conhecer e aproveitar o que Maui tem a oferecer(que não é pouco) sem um um meio de transporte a disposição da família por tempo integral.Por isso, separem uma verba para alugar carro.


- Existem vários points diferentes para o turista escolher onde se hospedar.


- Ao sul da ilha, fica Kihei e um número expressivo de resorts e hotéis. Na área mais popular, muitos condomínios ótimos para receber famílias com crianças. As praias de Kamaole são bem movimentadas e, ao contrário das outras(umas selvagens e distantes), oferecem muitas facilidades para os pequenos. Mercados, bares e lojas por perto.

- Na região de Wailea ficam alguns dos hotéis mais luxuosos do planeta. O Grand Wailea por exemplo tem as incríveis piscinas(tantas que confesso ter perdido a conta mais ou menos na altura da nona). Visitar estes hoteis é um programão, aliás. Cada um mais suntuoso que o outro. Também nesta área ficam as casas dos multi-milionários e de algumas celebridades, como Clint Eastwood, por exemplo. O "Shops at Wailea" é pequeno mas com ótimas lojas e o restaurante da cadeia de roupas Tommy Bahama - delicioso - apesar de meio chiquezinho para as crianças. 



- Mas a grande graça da história toda são as praias, é claro. As de Wailea estão sem dúvida entre as mais bonitas do mundo. Públicas, como em todo o estado.

- A praia dos hotéis é excelente e perfeita para snorkel. Estilo cenário de filme: águas calminhas, lotadas de peixinhos coloridos. Lembro como se fosse hoje do primeiro mergulho do João, com uma pranchinha de body board, pé de pato, máscara, repetindo sem parar "sufe, sufe, sufe", com o tio empurrando a pranchinha no mar lisinho (logo ele, acostumado a encarar as ondas gigantes de Jaws!). Do alto de seus quase três anos de idade, João estava "se achando" o surfista do desenho Lilo e Stich, assistido intensamente nos dias que antecederam a viagem pra entrar no clima...


- Perto de Wailea fica aquela que, na opinião dos entendidos, é a praia mais bonita de Maui:a Big Beach, em Makena. Passeio obrigatório, um lugar espetacular mesmo, de cair o queixo. Mas ali é preciso cuidado. O mar é perigoso, puxa bastante e, ao menos na época,era impossível deixar João entrar sozinho. 

- Bem ao lado, no canto direito da praia, encontramos a trilha para a Little Beach, onde só se chega a pé. Dizem que vale cada centímetro de caminhada e o mar inclusive é mais calmo que o da vizinha, mas no entanto exige atenção por outros motivos... Ali é o point dos naturistas da ilha e por isso não muito indicado para menores. Pode ser meio esquisito.


- Mas eles vão gostar de outro programa, perto de Big Beach, ainda mais ao sul. A baía de La Perouse tem com um visual super interessante, principalmente para os pequenos curiosos: o solo de formação recente(menos de 200 anos) todo coberto pelo que restou da lava da última erupção do vulcão Haleakala, em 1790. 

- O vulcão, aliás, mereceria um capítulo a parte, por ser um dos passeios mais incríveis da viagem. A três mil metros do nível do mar, a subida de carro até o topo dura cerca de uma hora. Mas a dica é reservar o dia inteiro para este programa, pois vocês podem querer parar no caminho para conhecer a área rural de Kula, cheia de fazendas com plantações. Ali podem ser alugados quadriciclos e cavalos para levá-los ao topo do vulcão ou simplesmente para explorar a região. 


- Além de ter um dos visuais mais impressionantes da ilha, o Haleakala é ainda o maior vulcão adormecido do planeta. O nome significa "a casa do sol" e sua história cheia de mistérios e significados cósmicos vai com certeza despertar o interesse da garotada. Porém o mais marcante provavelmente vai ser a sensação de caminhar dentro da gigantesca cratera com uma vista sensacional(que alcança desde o Parque Nacional até Big Island, em dias mais claros). As sucessivas erupções do passado resultaram em uma paisagem lunar(não a toa a Nasa costuma treinar os astronautas ali). As crianças deliram com o aspecto e a impressão de estarem andando na Lua, em um clima meio "ficção científica". 

- Assitir ao por do sol dali do alto aliás foi, para o escritor Mark Twain, o "espetáculo mais sublime" da sua vida. É. Pode ser. 

- Mas atenção total: não se esqueça de levar casacos grossos para todos. O Haleakala é capaz de gerar clima próprio, totalmente diferente do resto da ilha. Lá em cima muitas vezes fica muito gelado. Frio e vento podem, sim, cortar completamente o barato do momento.

- Lahaina é a maior cidade da ilha e a Front Street uma espécie de "Rua das Pedras" havaiana. Um simpático centrinho, cheio de lojas, bares, restaurantes onde turistas caminham de um lado para o outro sem compromisso. Ótimo para um sorvete no fim de tarde. Não deixe de mostrar as crianças a famosa Banyan Tree. Uma das maiores árvores do mundo, com quase vinte metros de altura, ela se espalha para ocupar quase um quarteirão inteiro.

- Há ainda um passeio de trem pelos pontos históricos de Lahaina que dizem agradar os menores, mas não chegamos a fazer. Além disso,  também acontece na região o Old Lahaina Luau, famoso em todo o Havaí. A maioria dos hotéis faz reserva não só para este, mas para outros jantares com show de dança e música típicas que fazem sucesso garantido com a garotada. O programa aliás é obrigatório para turistas em visita a qualquer ilha do arquipélago. Tradicionalíssima festa havaiana, o Luau mistura danças com tochas de fogo sempre em ritmo de hula-hula(maioria das canções é belíssima), com comidas gostosas e muita diversão para toda a família!

- Se vocês decidirem visitar Maui entre os meses de dezembro e maio (infelizmente não foi o nosso caso), pensem na opção de agendar uma expedição para olhar as baleias. Normalmente elas podem ser avistadas das areias da praia nesta época do ano, mas as melhores fotos, claro, são tiradas a bordo de um barco a poucos metros de distância destas gigantes graciosas. 

- Já o passeio até Molokini, a ilha em formato de lua minguante que na verdade é uma cratera de vulcão submersa, nós fizemos e recomendamos muito! Os hotéis de Makena ficam mais próximos do destino que o porto de Lahaina, talvez sejam melhor opção para as crianças não enjoarem de ficar muito tempo no mar. Por ser uma área de reserva ambiental, o passeio só pode ser feito com empresas registradas e autorizadas. Vale perguntar se eles oferecem(quase sempre a resposta é sim) equipamentos como snorkel e pranchas com fundo transparente para vocês observarem uma variedade incrível de cores e formatos de vidas marinhas. Os golfinhos são figurinhas fáceis durante o percurso. Na volta o barco ainda para em um point lotado de tartarugas gigantes para fechar o dia com chave de ouro!

- Pra encerrar, se o tempo e o orçamento permitirem, gostaria de recomendar ainda uma viagem até Hana, uma cidadezinha encantadora que parece ter parado no tempo. Não é perto das praias principais da ilha e o caminho pode levar de três horas a muito mais, dependendo do número de paradas para fotos que vocês inevitavelmente vão acabar fazendo. Confesso nunca ter pensado em ver tantos tons e cores no mar ou em florestas. Verdadeiros quadros. Tudo bem que as crianças podem não curtir ficar admirando a paisagem por muito tempo. Mas você não deve ir embora de Maui sem conhecer este pequeno trecho de visual paradisíaco. Vá mostrando os milhares de caprichos que a natureza generosamente oferece a cada curva da estrada. Se der, parem em Keanae para um lanche rápido e boas fotos. Chegando a Hana, aproveitem com o filhote as praias mais selvagens e isoladas da ilha.

- A estrada que continua até dar em Kula não é das melhores, mas vale seguir adiante em vez de voltar para se deparar com novas belezas pelo caminho. 

- Trinta minutos depois de Hana fica ainda outra atração bastante popular de Maui: as Piscinas de Oheo, ou "Seven Pools". Um lugar meio "Jardim do Eden" de tão bonito e pacífico. Dica: evite ir nos finais de semana, pois costuma ficar muito cheio. São dezenas de piscinas naturais formadas por pedras de lava vulcânica e intercaladas por cachoeiras com água limpíssima e transparente. A última delas desemboca no mar. Uma farra para a gurizada. Inesquecível para nossos olhos. Assim como cada canto da mágica Maui.

João no Havaí - Junho de 2006










Roteiro Alternativo

Existem viagens perfeitas para toda a família. Outras, sob medida para casais. Algumas, bacanas para se fazer com as amigas. É importante ter sempre isso em mente na hora de optar por algum destino. Mas isso não significa que alguns lugares não possam nos surpreender ou até ser adaptados de acordo com nossas necessidades.

Para muita gente,  rotas mais alternativas  tendem a ser meio "cilada" para o público infantil. Quase sempre distantes, diferentes em muitos aspectos, às vezes com uma infra não tão adequada para turistas mirins. Será mesmo?

Em outubro de 2009, Décio e eu decidimos deixar qualquer preconceito de lado para realizar um desejo antigo da família: ver de perto, junto com o João, as pirâmides do Egito. Na verdade, de certa forma, acabou sendo nós quatro. E foi assim que de repente me vi, grávida de dois meses do José Francisco, prestes a embarcar em um navio rumo a Grécia, Turquia, Chipre, Israel e Egito. Também na bagagem, toda energia e curiosidade de um menino que tinha acabado de completar 6 anos de idade.

Cada canto do mundo tem charme e atrações únicas. Desde o início sabíamos que aquela viagem seria provavelmente um pouco mais complicada que outras. O grande desafio era conseguir ver/fazer tantas coisas novas e diferentes, conciliando com o mínimo de rotina que uma criança desta idade necessita. Por isso optamos por cumprir nosso itinerário a bordo de um cruzeiro. Desta forma, descobrimos parte de um mundo mágico e misterioso sem que mudanças mais bruscas pudessem alterar o humor do nosso pequeno viajante. Com o conforto da cabine e os cardápios menos ousados da cozinha internacional do navio, confesso que senti uma certa tranqüilidade.

Se por um lado conseguimos evitar possíveis surpresas desagradáveis, por outro, claro, deixamos de viver intensamente todas aquelas descobertas. Talvez um dia valha a pena voltar e permanecer mais tempo em alguns locais. Mas não podemos ter tudo e, por ora, aquela parecia ser nossa melhor opção. O próprio navio oferece um bom esquema de passeios. Por mais que possa parecer (e é mesmo) um pouco chato acordar cedíssimo, andar sempre em grupo e ter tempo cronometrado a cada visita, o roteiro organizado, com guias, acaba proporcionando enorme segurança. E isso, principalmente com crianças, não tem preço.

Em resumo, alguns dos melhores momentos da nossa aventura que fizeram todo o esforço valer a pena: brincar na imensa areia no pôr do sol da praia e a escadaria de dezenove terraços dos magníficos jardins do Bahai, na belíssima cidade de Haifa, Israel,  passeio de charrete pela orla e a maravilhosa seção infantil da biblioteca de Alexandria, onde viveram Cleópatra e Marco Antonio... A reação do João ao entrar nas mais incríveis mesquitas, se ajoelhando para realizar o salá(oração pública) na direção de Meca... O delicioso mergulho no mar gelado e transparente de Rhodes, na Grécia. A última casa onde acredita-se que viveu a Virgem Maria em Kusadasi, Turquia. João fazendo poses trágicas em frente ao teatro grego em Atenas... A foto com o camelo que tentou morder meu cabelo e os vendedores ambulantes egípcios repetindo "one dollar" incansavelmente, esperando as gorjetas dos turistas e arrancando risadas do nosso garotinho. A Via Crucis, em Jerusalém, com o Décio empurrando o carrinho. Teve ainda o bilhete que João deixou no muro das lamentações: "que meu irmãozinho venha com muita saúde e seja feliz, como eu sou."

E elas, é claro. As três grandes vedetes da nossa viagem, as únicas remanescentes das Sete Maravilhas do mundo antigo: Queops, Quefren e Miquerinos, a atração turística mais impressionante que tive o prazer de ver em toda a vida. As pirâmides de Gizé. Sem dúvida as areias do deserto vão permanecer por muito tempo, senão para sempre na memória do meu filho.

João: Egito, Israel, Turquia e Grécia - outubro de 2009